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Aulas, aulas e mais aulas...

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Comentários da neurocientista de plantão sobre a vida, o universo, e tudo mais

Entries in Livros (15)

Wednesday
Sep302009

Bate-papo em SP este sábado!

Estarei este sábado, 3 de outubro, na Livraria da Vila do Jardim Paulista (Av. Lorena, 1731), para o lançamento conjunto do Pílulas de Neurociência para uma Vida Melhor e de Por que o Bocejo é Contagioso? O evento começa às 18h com um bate-papo no auditório da livraria, seguido de autógrafos no saguão a partir das 19h. Se você mora em SP... dê um pulinho lá!

 

Wednesday
Sep302009

O sabe-tudo

Eu já tinha lido The Year of Living Biblically ("O ano de viver biblicamente"), relato do segundo projeto de ano inteiro do autor, que é editor da revista Esquire. O primeiro foi este aqui: The Know-It-All - One Man's Humble Quest to Become the Smartest Person in the World ("O Sabe-Tudo: a humilde cruzada de um homem para se tornar a pessoa mais inteligente do mundo", sem tradução no Brasil). A.J. Jacobs é divertidíssimo e, em O Sabe-Tudo, conta com muito bom-humor e auto-crítica suas experiências ao longo do ano que ele levou para ler os 45 milhões de palavras dos 65 mil verbetes nas 33 mil páginas da Enciclopétia Britânica.

Se ele ficou mais inteligente? Depende da definição, como ele mesmo descobre ao interpelar um especialista em inteligência sobre sua epopéia. Eu particularmente acho que conhecer fatos de cabeça, sem apelar para a memória externa (do Google, do seu celular, da Enciclopédia, dos seus cadernos ou de quem estiver por perto) é importantíssimo: eles são a matéria-prima para o raciocínio, para o reconhecimento de padrões, para resolvermos problemas triviais e outros nem tanto. Mas, como Jacobs descobre na Enciclopédia, culturas diferentes têm definições diferentes para o que é inteligência: prudência e cautela; humildade; cooperação e obediência; e até reticência são sinais de inteligência - dependendo de para quem você pergunta...

Friday
Sep182009

The Lost Symbol e a noética: Dan Brown meets The Secret

Duas horas de avião até Houston, seis horas de espera em conexão, uma hora de atraso no avião, nove horas de voo até o Rio - e eu li o novo livro do Dan Brown todinho. Deu até para dormir umas horinhas e ler as últimas páginas sobrevoando a Baixada Fluminense, antes de pousar no Galeão. Perfect timing.

O timing do livro novo, publicado aqui pela Sextante como O Símbolo Perdido, também é um bocado bom. Dan Brown está se aprimorando: pessoas mudam de lado a toda hora, ao invés de subitamente mostrarem-se vilões no final (como em Anjos e Demônios e Fortaleza Digital); a estória quase não tem barriga (tirando uns trechos mais longos explicativos aqui e ali); os "enigmas" estão basiquinhos desta vez, mas dá para manter o interesse; e ele ainda bolou um lance não-visual muito bacana, em breu completo, que vai ser o diabo para adaptar para o cinema (mais não digo aqui).

Mas o diabo mesmo é que ele resolveu enfiar a falsa ciência d'O Segredo na estória, transvestida de "Noética". Há de se tirar o chapéu à esperteza do autor: à sua fórmula anterior de sucesso, que envolvia religião, símbolos e segredos, ele agora incorporou O Segredo e toda sua legião de fãs e seguidores.

Donde a noética. O termo pré-Dan Brown se referia pura e simplesmente ao estudo da consciência, mas Dan Brown o usa para se referir ao estudo dos poderes materiais de uma "consciência coletiva" que supostamente legitima a pseudo-ciência que sustenta fenômenos midiáticos como O Segredo e Quem Somos Nós e justifica sua inserção na trama. Pelo menos é apenas uma trama auxiliar no novo livro - mas, ainda assim, lá vamos nós a mais uma rodada de "pensamentos são matéria" e "seus pensamentos podem mudar não só as moléculas da água como também o mundo"... saquinho. Mas vai ajudar a vender livros, com certeza. Vai ser divertido ver o verbete a respeito crescer na Wikipedia, que já deve estar começando a receber visitas de leitores. No momento, é um verbetezinho de nada...

Fico curiosa de saber o que os historiadores e os maçons terão a dizer sobre o novo livro. Tirando pela maneira como Dan Brown demonstrou, em míseros dois parágrafos ao final do livro, não se preocupar em checar o básico do básico sobre o cérebro, fico só imaginando como seus "fatos" sobre a maçonaria também não devem estar distorcidos. Para quem ficou curioso, lá pelas tantas a cientista do livro (sempre tem uma, certo?) explica a Langdon que "o cérebro tem duas partes: a dura-máter e a pia-máter". Aaaaaaaaaaahhh!!! Ela refere-se a duas das três membranas que *envolvem* o cérebro; de cérebro, mesmo, elas não têm nada. Falando nisso, descobri que a neurociência voltou ao século XVII: você sabia que, durante a meditação, a glândula pineal, sede da consciência, produz uma substância viscosa capaz de curar doenças e regenerar o corpo? Não? Nem eu. Mas Descartes, no século XVII, bem que achava que a pineal, por ser a única estrutura única de fato no cérebro (todas as outras existem aos pares), deveria ser a sede da mente. Hoje achamos que ela apenas produz algumas substâncias que participam da regulação de ritmos do cérebro.

Não tenho nada contra licença poética. Pelo contrário: meu marido está terminando de escrever um livro de ficção techno-noir-suspense, e eu me divirto dando pitacos aqui e ali sobre maneiras de usar em seu romance informação sobre o cérebro de forma high-tech-poética. O pessoal que escreve a série Ghost in the Shell faz isso de maneira exemplar, e o resultado é sensacional.

Dan Brown, ao contrário, parece não estar nem um pouco preocupado em checar os fatos. Fico esperando os maçons e entendidos em religião começarem a espernear, porque o livro é todinho sobre eles (por outro lado, como o próprio autor diz que não é do feitio dos maçons espernear contra falsas informações a seu respeito, ele deve estar se achando seguro).

Pelo lado da ficção, não importa: eu, que não entendo nada de maçonaria nem de religião, achei o livro divertido, e tanto faz se o autor acha que "o cérebro é composto de dura-máter e pia-máter". Pelo lado da não-ficção, no entanto, lá vamos nós agora fazer contenção de danos. Não, pensamentos não têm peso; não, nada da "ciência noética comprovada" do livro foi de fato comprovada, e pensamentos não mudam a disposição de moléculas de água, muito menos das paredes ou do mundo em geral, nem fazem aparecer colares de diamante em seu pescoço ou cheques na sua caixa de correio. O que muda o mundo são ações; pensamentos positivos ajudam ao levar a ações positivas. Só isso. E, claro, ao colocar muito, muito, muito dinheiro na conta-corrente da Rhonda Byrne. E, agora, na de Dan Brown também...

Saturday
Sep122009

Sábado que vem, na Bienal do Livro

Estarei lá: dia 19, sábado, no stand da Zahar, a partir das 19:30, assinando exemplares da nova edição do "Por que o bocejo é contagioso?" (que deu origem ao quadro NeuroLÓGICA do Fantástico) - e também do "Pílulas de Neurociência para uma Vida Melhor" (da Sextante) de quem levar o seu!

Sunday
Aug302009

Nos mais vendidos!

Uaaau, puxa, puxa, puxa: Pílulas de Neurociência para uma Vida Melhor está na lista dos Mais Vendidos do Jornal do Brasil de hoje!!! Em oitavo lugar!!!

Entrei na Saraiva online para assuntar, e os dois livros mais vendidos sobre "neurociência" são meus - e o mais vendido sobre "cérebro" também! Excelente estratégia da Sextante e da Zahar oferecer esses livros a R$19,90...

Saturday
Aug292009

Lançamento em São Paulo

Ainda vou confirmar aqui, mas deve ser 21 de setembro, em uma das Livraria da Vila em São Paulo: evento conjunto da Zahar e da Sextante para lançar meus últimos livros. Apareça por lá!

Thursday
Aug272009

Viva! Mais um livro!

A Zahar acaba de relançar meu livro "Por que o bocejo é contagioso? E novas curiosidades sobre o cérebro", que deu origem ao quadro NeuroLÓGICA, do Fantástico. De capa nova e preço novo (míseros 19,90 ou até menos, nas promoções de lançamento!), desta vez é para o livro bombar! Cheio de curiosidades (o livro é todo organizado na forma de perguntas), tem inclusive textos novos.

Eis algumas delas, para deixar o seu sistema de recompensa salivando (tomara!):

- Por que não vemos tudo de cabeça para baixo, se a imagem sobre a retina é assim?
- Por que é impossível imaginar uma cor que nunca vimos?
- Por que rodar no mesmo lugar nos deixa tontos?
- Por que uma luz muito forte faz os olhos doerem?
- Por que massagear um machucado diminui a dor?
- Por que pensar cansa?
- Por que não é possível lembrar de tudo?
- Por que é tão difícil dirigir quando estamos aprendendo, e tão fácil depois?
- Por que achamos os bebês lindos?
- Por que sentimos saudade?
- Por que não resistimos a uma liquidação?

E aí, vai resistir a comprar este livro? Mais de 70 curiosidades da neurociência, por menos de 30 centavos cada uma! :o)

Tuesday
Jul282009

Saiu!

Quelegalquelegalquelegal meu livro novo já está nas livrarias! A Sextante fez a capa caprichada, de bolinhas, e com a foto bacana que me deixaram escolher dentre as 250 (é sério) que o Beto Felício tirou (a mesma que ilustra este blog), atendendo gentilmente ao meu pedido de tirar fotos só do lado esquerdo do meu rosto (eu sei, soa como coisa de celebridade fútil, mas fato é que eu notei que eu gosto das fotos do lado esquerdo do meu rosto, e desgosto das do lado direito, então tirar só do lado esquerdo evita que eu depois rejeite metade das fotos) (e sim, eu sei que na capa parece que é o lado direito que está para a frente, mas a foto foi invertida por uma questão de layout. Coisas de designers. Eu achei ótimo).

A Saraiva ainda não tem o livro no site, embora já tenha em algumas lojas, mas a livraria cultura saiu na frente e já tem o livro para entrega imediata. Dá até para ler os primeiros textos do livro no site deles.

Este livro é uma coletânea das minhas colunas na Folha de São Paulo (com algumas que eu escrevi para o Estado de S.P. de brinde!). São 69 textos curtos, que falam sobre tudo e um pouco mais: amizade, casamento, filhos, mentiras, sono, angústias, férias... Uma ótima oportunidade para quem não assina o jornal (e para quem assina, também) de ler pequenos textos sobre como a neurociência pode contribuir para uma vida melhor - donde o título, Pílulas de Neurociência para uma Vida Melhor.

E o melhor de tudo: por míseros 19 reais - ou menos, nas promoções de lançamento dos sites! Assim é realmente para a neurociência ficar ao alcance de todos...

Conte para seus amigos! Dê de presente para seu pai domingo que vem! Ajude uma neurocientista a divulgar sua ciência - e de quebra contribua para o bem-estar dos seus amigos! :o) :o) :o)

Sunday
Jul262009

Três dias com The time traveler's wife

Nada como um bom livro para acompanhar uns diazinhos de férias. Na dúvida, sempre levo mais do que posso ler, e desta vez a bolsa de viagem tinha cinco livros: Slaughterhouse V, do Vonnegut, que ainda não acabei; Why Good Manners Matter, um livrinho muito interessante sobre vida em sociedade que eu pretendia acabar; A Mathematician Reads the Newspaper, que eu estava lendo avidamente; e iBrain - Surviving in a Technological World ou algo assim, que eu comecei a ler mas abandonei no primeiro capítulo, irritada com a premissa errada dos autores de que "nosso cérebro está evoluindo rapidamente devido à tecnologia".

Mas o grande vencedor da semana, o que desbancou todos os outros e passou a me acompanhar na pousada e a me embalar na rede enquanto meu marido trabalhava ao lado em seu livro e as crianças exploravam as pedras no jardim, foi The Time Traveler's Wife, romance de estreia de Audrey Niffenegger. Ah, que delícia, um romance que NÃO é sobre segredos de família, irmãos perdidos e reencontrados, mulheres de trinta e tantos com dinheiro de menos e homens demais (ou vice-versa), nem amarguras orientais.

Niffenegger inventou um homem que faz puf! e viaja para seu passado ou futuro - descontroladamente e a sua revelia, embora sempre para momentos emocionalmente relevantes -, e, no processo, visita várias vezes a criança que se tornará sua esposa. O livro é a história dos dois, e de seu romance que se desenrola em épocas em que ela ainda não sabe que o homem adulto é seu marido, em que ele ainda não sabe que ela será sua esposa, embora ela já saiba (pois o eu dele presente ainda não a visitou no passado, nem no futuro), em que os dois vivem juntos e ela presencia as viagens dele ao passado dela, em que ela aguarda, apreensiva, que ele retorne vivo de mais uma viagem. Surpreendente, inteligente, leve, delicioso. Apresento apenas meus protestos contra o final que ela decidiu dar à estória, mas concordo que ele faz sentido.

Há ainda os detalhes da viagem no tempo, que tornam a coisa especialmente interessante e rendem ótimas cenas no livro: embora não controle quando viaja, Henry sabe que os surtos - como crises epilépticas - são especialmente comuns durante estresse (o que causa uma reviravolta extraordinária no dia do seu casamento), e sempre viaja nuzinho, peladão, sem lenço, sem documento e sem dinheiro - o que o obriga a aprender a roubar roupas e dinheiro logo cedo. Aliás, ele mesmo se ensina a bater carteiras, ao visitar, já adulto e viajado, seu eu de nove anos...

Uma ótima leitura para quem gosta de ficção científica, de romances, de realismo fantástico - ou, melhor ainda, das três coisas juntas.

Sunday
Jun072009

A bíblia ao pé da letra

O que fazer após passar um ano lendo a Enciclopédia Britânica de cabo a rabo para escrever um livro a respeito? "Ler a Bíblia de cabo a rabo, em suas várias versões, e tentar seguir seus preceitos ao pé da letra" foi a resposta de A.J. Jacobs, editor da revista Esquire e agora pós-multi-religioso, autor do livro "The year of living biblically: One man's humble attempt to follow the Bible literally".

Comecei a ler o livro no avião, na volta das férias, logo após comprá-lo em meu último raid à Borders do aeroporto, e terminei dois dias depois. Muito instrutivo - e muito divertido. O intuito de Jacob (a persona religiosa do autor), além de experimentar ser religioso após ter crescido com pai e mãe ateus, é investigar se é possível levar *todos* os preceitos ao pé da letra.

Como ele suspeitava, não é possível, ou haveria pessoas demais com partes do corpo faltando, cometendo infanticídio, genocídio, matricídio e outros -cídios e apedrejando-se umas às outras. Preceitos como "não se barbear", "não mentir", "não falar mal dos outros, fofocar ou usar linguagem inadequada" são relativamente fáceis de seguir (embora com reviravoltas hilariantes); outros, como não misturar fibras de algodão e lã nas mesmas roupas, exigem a consultoria de um rabino especializado; os que incitam ao crime (como decepar a mão da mulher que desonra o homem ou apedrejar adúlteros) exigem a consulta a rabinos, padres e pastores, em busca do "sentido original" da Bíblia.

E quanto a conviver com alguém que segue a Bíblia ao pé da letra? Descobrimos como Julie, a esposa de Jacobs, protesta contra a proibição ao marido de se sentar onde ela, menstruada, houvesse se sentado: ao chegar em casa e se dirigir à sua poltrona favorita, Jacobs ouve dela um "Acho que você não vai querer se sentar aí, querido, pois eu me sentei em sua poltrona hoje". Dirigindo-se a outra cadeira, então: "Hmm... nessa também não. Pensando bem, acho que sentei em *todas* as cadeiras da casa hoje!". Solução: comprar uma cadeira dobrável, que vira bengala, e levá-la também em passeios de ônibus e metrô. Afinal, nunca se sabe o estado menstrual das mulheres que usaram o assento...

Situações hilariamente inusitadas à parte, Jacobs descobre que, à força de praticar a honestidade, a gratidão e o bom uso da linguagem ao longo de um ano, ele se sente uma pessoa melhor. Feliz de poder encostar em sua mulher e cumprimentar as amigas novamente, e ainda ateu - mas uma pessoa melhor.