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Aulas, aulas e mais aulas...

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Comentários da neurocientista de plantão sobre a vida, o universo, e tudo mais

Entries in Do plantão da neurocientista (134)

Tuesday
Nov082011

Vinte anos mais tarde... eu ainda sei jogar vôlei!

Custou entrar para um clube perto de casa e ser arrastada para a quadra por uma amiga dos tempos da escola, mas foi: vinte anos mais tarde, descobri que ainda sei jogar vôlei! Santos núcleos da base e córtex motor, que guardaram os programas necessários bem guardadinhos esses anos todos.

Felizmente esse tipo de aprendizado e a memória correspondente, chamada de procedimentos, são diferentes dos outros, como informações novas que colocamos em palavras. Para essas, não há muito perdão: quanto menos elas são acessadas, maior a chance das conexões correspondentes irem se enfraquecendo com o tempo, cedendo lugar a outras - e maior a chance de cairem assim no esquecimento.

Com os procedimentos, não. O que você não sabe colocar em palavras, mas sabe fazer - e sobretudo se aprendeu antes da adolescência - fica guardadinho lá, em circuitos aparentemente bem mais estáveis.

Bom, quase todos - e é tentando que a gente descobre o que desaprendeu. Primeiro, desaprendi a sacar por cima. O programa motor que cuidava de selecionar os movimentos certos na hora certa deve ter sucumbido ao tempo, porque com certeza estou usando os músculos errados: após quatro anos contínuos de pilates, tenho muito mais força hoje do que quando era adolescente - mas a bola não passa, e sinto-me tentando fazer a bola passar usando os músculos das costas, o que não pode estar certo. 

Mais vexaminoso, contudo, é o bambolê. Quando era criança, achava divertidíssimo acompanhar as tentativas frustradas de minha mãe e tia para manter um bambolê rodando na cintura - o que, para mim e minha irmã, era facílimo. Mas hoje... o diabo do bambolê insiste em cair direto. Terrível. Patético. A dúvida cruel é se só perdi os neurônios que sabiam rodar o bambolê (e aí um pouco de insistência deve resgatar bambolê e saque por cima) ou se a idade acabou com alguma propriedade mais fundamental do meu corpo. Sniff...

Monday
Sep192011

Agora, no TEDx Fiocruz!

Come a em instantes o evento TEDx Fiocruz, incluindo uma apresenta o minha. Acompanhe ao vivo aqui mesmo, ou no site www.tedx.fiocruz.br


Watch live streaming video from tedxfiocruz at livestream.com

Friday
Sep162011

Motivação, homeotermia e o Nadal

Meu pai ligou de longe só para avisar que não perdêssemos a final do US Open, entre o ex-top Rafael Nadal e o top-da-vez Djokovic. Só conseguimos ligar a televisão no terceiro set, quando Djokovic já liderava a partida por 2 sets a zero - mas valeu a pena.

O que se seguiu foi um espetáculo que atraiu a família inteira para o sofá - e deixou a cabeça da neurocientista de plantão a mil. Para começar, porque Nadal deu um show de motivação. Com dois sets já perdidos - e perdidos por um bocado -, o homem deu um jeito de encontrar no cérebro expectativas boas o suficiente para fazer valer a pena o esforço de correr para cá, para lá, para cá de novo (acho que vislumbrar um cheque de 1.8 milhões de dólares ao final da partida deve ajudar um bocado...). Djokovic mandou no jogo o tempo todo, é verdade, exibindo domínio quase perfeito da bola e fazendo Nadal suar muito para correr atrás dela. Mas o que Djokovic tinha de técnica, Nadal tinha de motivação, e tanta que conseguiu quebrar o saque de Djokovic duas vezes, virar o jogo e ganhar o terceiro set. Sua garra era contagiante, e me descobri torcendo por ele simplesmente por conta de seu show de motivação.

Mas o suor era muito, e tão intenso que trocar de camisa várias vezes não resolveu. Se eu pudesse ter ajudado Nadal à distância, teria lhe dito justamente que não trocasse a camisa. A razão é simples, e mostra que o suor de fato não é o problema, mas a solução dele: hipertermia. Do meu sofá, diria que mais que pelo esforço frustrado, talvez a motivação tão intensa de Nadal tenha sido abatida pelo sobreaquecimento do cérebro.

Ser homeotermo, como todos os outros mamíferos e ainda as aves, tem uma série de vantagens, e a primeira delas, quando se trata de se mexer, é que nós já começamos quentes, literalmente: com o metabolismo acelerado, que é o que mantém o corpo aquecido mesmo sem atividade física, temos uma facilidade de fazer os primeiros movimentos do nada.

A outra vantagem de ser homeotermo é que conseguimos sustentar a atividade física por bastante tempo. Atividade física gera calor, e o calor tem tudo para danificar o corpo quando se torna excessivo. Sem maneiras de dissipar ativamente esse calor, répteis são obrigados a parar de correr depois de não muito tempo, ou cozinham por dentro. Mas nós, que aprendemos a suar, temos esse meio de colocar o calor para fora antes que ele nos asse, e portanto conseguimos nos manter em movimento por bastante tempo. É a evaporação do suor que nos resfria, donde minha suspeita de que o Nadal teria durado mais tempo se tivesse ficado com a mesma camisa encharcada a partida toda, ajudando a manter seu corpo longe do sobreaquecimento.

Enquanto a transpiração dá conta de dissipar todo aquele calor extra gerado pelo esforço físico, tudo vai bem. Mas chega um ponto em que o esforço é tanto que não há suor que dê conta - e o sangue começa a esquentar. Aqui começa a hipertermia. E quando ela atinge um ponto crítico, o hipotálamo começa a dar o alarme, que chega na forma da sensação de exaustão - e também de esmorecimento, conforme a atividade do sistema de recompensa de alguma forma deve ser reduzida.

Esmorecer, portanto, é uma estratégia de sobrevivência: apesar de toda a garra, o hipotálamo do Nadal provavelmente detectou os primeiros sinais (ou quintos, nonos, décimos, tamanha a garra do cara), e deve ter tido que mandar parar tanta motivação, em nome de manter-se vivo. No quarto set, Nadal foi muito rápida- e evidentemente da determinação à exaustão. Em casa, nos perguntávamos se não há no tênis uma maneira honrosa de entregar o jogo, que já havia passado das quatro horas de duração real. Aparentemente, não há - ou, se há, Nadal ainda encontrou motivação suficiente para jogar até o final, e sem fazer feio, ainda que já estivesse claro que não era mais fisicamente possível continuar.

Djokovic e seu sistema de motivação ganharam a recompensa enorme dos 1.8 milhões pela sua técnica e determinação, e ficou rindo sozinho na quadra, como deveria mesmo. Nadal perdeu para ele pela sexta vez seguida em uma final de torneio - mas certamente ganhou a admiração de muita gente ao demonstrar que ainda tem muita, muita motivação para continuar tentando...

Wednesday
Jul272011

Hoje um guepardo, amanhã... crocodilos!

É, foi meio ideia de jerico aceitar o convite feito com tanta naturalidade pela veterinária. Mas àquela altura eu já estava mesmo não só dentro do terreno do guepardo, como a um metro dele; se ele quisesse me comer, eu viraria almoço ali mesmo, com ou sem protestos da amígdala se vendo ao lado do felino, do córtex cingulado acusando tudo que podia dar errado, do pré-frontal avisando que o lado seguro da cerca era o outro. Então, como a veterinária estava falando amorosamente com o guepardo, fazendo festinhas em sua cabeça e me convidando pra fazer também, eu... fui.

Tá aqui a foto para comprovar. Não estava nos planos para esta nova visita à África do Sul ir a este santuário de animais selvagens, mas ele fica bem no caminho da fazenda de crocodilos aonde estávamos indo buscar espécimes, então... fomos lá conversar com os veterinários, e acabamos ganhando um tour do local - com direito a fazer festinha em guepardo.

Hmm? Crocodilos? É, amanhã é dia de cuidar deles. Depois eu conto como foi...

Tuesday
Jul262011

Desde abril...

Nossa, três meses sem postar nada, e muito pouco antes disso. Se serve como desculpa, é que foi um primeiro semestre intenso, com um curso novo sobre Origem da Vida montado do zero para a Biomedicina, concurso para titular (quem entrou foi meu colega Stevens Rehen, viva ele, merecidíssimo!), curso fora do país, artigos, programa de rádio, crianças, marido...

Mas agora, com tudo voltando aos eixos, voltam os posts. Eis uma prévia de alguns dos assuntos que deixei de postar a tempo, mas que em breve aparecerão aqui:

- Que dinossauros, que nada: legais mesmo eram os Pokémons do Cambriano (a-ha, ficou curioso?)

- O que Doritos em chamas têm a ver com a sua respiração

- Se quase todas as células do seu corpo se renovam, você ainda é o mesmo?

- Por que, já que não dá para proibir todas as drogas, então (para minha surpresa) descobri que eu sou a favor de liberar geral: legalizar, mesmo, e não esse papo do FHC de só descriminalizar (deixando claro, desde já, que eu ainda acho que o uso de drogas é candidato ao pai de todas as ideias de jerico, como sabe quem já andou lendo este blog)

Gostou do aperitivo? Então fique de olho, porque a Neurocientista de Plantão está de volta!

Thursday
Mar242011

Neurocientista também cozinha: bolo de chocolate sem farinha

Esta é para o pessoal que é chegado num bolo de chocolate e fica triste de achar que não vai mais poder cair de boca porque resolveu cortar o gluten da dieta (por exemplo para tentar acabar com a enxaqueca): resolvi socializar minha receita de bolo de chocolate sem farinha alguma, adaptada de um livro da Nigella. É tão fácil de seguir quanto protocolo (bem escrito!) de laboratório. Seguinte:

- Comece derretendo em um pote pequeno dois tabletes grandes de chocolate amargo (hoje de 170 g cada, enquanto os fabricantes não resolverem diminuir ainda mais o tamanho sem reduzir o preço). Pode ser no microondas, mesmo; é só ficar de olho para não deixar queimar...

- Amoleça 125 gramas de manteiga, também no microondas, e misture ao chocolate derretido.

- Em uma tigela maiorzinha, bata dois ovos inteiros com 75 gramas de açúcar, mais quatro gemas separadas das claras, até a mistura ficar razoavelmente lisa, e então misture aqui o chocolate com a manteiga.

- Em outra tigela grande, bata as quatro claras em neve até ficarem firmes, com uma pitada de sal ao final (para os quimicamente curiosos: o sal ajuda a desnaturar a albumina do ovo e formar espuma), e então bata junto com as claras em neve 100 gramas de açúcar.

- Feito? Está quase pronto: agora transfira aos poucos, às colheradas, mesmo, as claras em neve para a tigela com o chocolate. Misture gen-til-men-te para não desfazer as bolhas da clara, porque é isso que vai fazer o bolo subir.

- Despeje a massa em uma forma untada e polvilhada (com maizena ou polvilho, óbvio, não com farinha de trigo, né? Lembra que a razão de ser deste bolo era não ter gluten!) e leve a forno já aquecido para assar por uns 35-40 minutos, ou até a casca ficar morena e quebradiça. A forma deve ser GRANDE, porque a massa vai dobrar de tamanho!

Muito sinceramente: quando faço esse bolo com meus pais aqui em casa, em 15 minutos já não sobra mais uma migalha. Tomara que a sua família goste tanto dele quanto a minha!

Thursday
Mar242011

Uma ode ao cérebro

Já recebi o vídeo de duas pessoas que não se conhecem (muito obrigada Sérgio e Karina!), mas ele ainda está com "apenas" 35 mil visitas no YouTube desde sua publicação ontem, então talvez você ainda não tenha visto: é a nova criação de John Boswell, que encabeça o Symphony of Science, um projeto que pretende divulgar conhecimentos e filosofia em forma de música.

Talvez você ache um pouco irritante o resultado do AutoTune ou algoritmo similar que Boswell usou para transformar as palavras de cientistas do porte de Vilayanur Ramachandran, Oliver Sacks e Carl Sagan em música. De fato, soa um tanto artificial. Mas é na forma de música que a gente nota a poesia da fala desses cientistas, seja durante palestras do TED ou programas de televisão. Destaque para o chorus de Jill Bolte Taylor (a "neurocientista que curou o próprio cérebro"), que, ahn, "canta" que "information in the form of energy streams in simultaneously through all of our sensory systems, and then it explodes into this enormous collage of what this present moment looks like, what it feels like, and what it sounds like, and in this moment we are perfect, we are whole and we are beaufitul".

PS. Agora fiquei com vontade de rever os vídeos do Carl Sagan. O homem foi execrado por muitos por ousar colocar a ciência na boca do povo, ou ao menos tentar - o mesmo que aconteceu com Isaac Asimov, outro de meus autores favoritos...

Wednesday
Mar162011

Para comer sem gluten

Escrevi a coluna da Folha desta semana sobre como várias pessoas (eu inclusive) descobrem que suas enxaquecas desaparecem quando eliminam radicalmente o gluten de suas dietas, e várias pessoas escreveram perguntando sobre como fazer isso. É bem mais fácil do que parece, mas seguem aqui algumas dicas.

O que não comer: nada que tenha trigo, cevada ou centeio em sua composição. Isso inclui tudo o que seja feito com farinha de trigo, então lá se vão massas, bolos, pães e biscoitos de modo geral - bom, pelo menos os mais fáceis de encontrar em supermercados, que são feitos com trigo. Também inclui todos os pães à base de trigo, inclusive os "integrais", "naturais" ou o que for. E inclui, para a tristeza de alguns, a cerveja, feita à base de cevada (oooohhh...). A parte boa é que morar no Brasil torna a tarefa fácil: por lei, todos os rótulos são obrigados a indicar se o alimento contém gluten ou não. Por razões de segurança, aqueles que não contêm gluten em sua fórmula mas são feitos em fábricas que processam gluten também se dizem conter gluten. É o caso de alguns iogurtes. Mas para quem não é celíaco mesmo mesmo, esses alimentos em geral são seguros.

O que comer, então? Massas de arroz, fáceis de encontrar na prateleira de produtos orientais do seu supermercado favorito; pães à base de arroz ou mandioca (meu favorito é o que eu mesma faço, à base de polvilho azedo); biscoito de polvilho; bolos à base de creme de arroz ou fubá, ou, meu preferido, bolo de chocolate sem farinha. Hmmmm :o)

Monday
Mar142011

A Dilma não quer que eu viaje

Ah, a burocracia. É bem verdade que eu não tenho muito do que reclamar: cada vez que eu vou à Reitoria da UFRJ descobrir como usar o dinheiro do prêmio que recebi da McDonnell Foundation norte-americana para fazer meu trabalho, sou muitíssimo bem atendida por funcionários educados, eficientes, solícitos e bem-informados. Tão eficientes e bem informados, aliás, que no dia 3 de março, quinta-feira "de carnaval", quando fui levar meu pedido para usar fundos do prêmio para pagar uma viagem na semana seguinte, estavam todos lá às 3 da tarde e já a par do decreto recém-decretado pela nossa digníssima presidente, dois dias antes, que impedia qualquer órgão público de pagar diárias, passagens ou quaisquer outros custos relacionados com viagens internacionais para servidores públicos sem autorização expressa do respectivo ministro.

Normalmente isso não afetaria a nós, pesquisadores, visto que nossas viagens a trabalho costumam ser pagas com recursos do CNPq ou das fundaçōes estaduais de amparo à pesquisa gerenciados por nós mesmos, e raramente são arcadas pela universidade. Tecnicamente, minha viagem em questão também não é: queria usar fundos do prêmio para ir aos EUA fazer um curso para aprender a usar um equipamento que estou importando com os mesmos recursos. Mas como o prêmio é gerido pela UFRJ, e foi depositado na Conta Única da União, carinhosamente apelidada por funcionários da nossa Reitoria de "Buraco Negro", ele passou a ser tratado como Dinheiro da União. E, como tal, só poderia ser usado para pagar minha viagem com a autorização expressa e pessoal do Ministro da Educação, Fernando Haddad.

O pequeno detalhe é que a viagem estava marcada para a quinta logo após o carnaval, uma semana depois. Não, não deixei para fazer o pedido de auxílio em cima da hora: o problema todo é que fui eficiente e previdente demais e fiz o pedido ainda em novembro de 2010, antes de viajar, também a trabalho, para a Austrália. Não pode, como só descobri no final de fevereiro, ao estranhar a falta de notícias da reitoria: pedidos de auxílio para viagem têm que ser feitos no ano corrente (e como se viaja em janeiro, então? Acho que prefiro não descobrir...). Mas sim: devido à minha previdência "exagerada", estava sendo obrigada a refazer o pedido em cima da hora - justo quando a Dilma baixou seu decreto anti-viagens.

Nada contra o decreto em si, veja bem. Sou totalmente a favor de contenção de despesas, sobretudo com parlamentares que ficam na esbórnia mais preocupados em votar seu próprio aumento salarial do que fazer seu trabalho, embora o decreto sequer se aplique a eles. Mas acho que o digníssimo senhor Fernando Haddad tem mais o que fazer do que ficar avaliando pedidos de professores um a um.

As secretárias do Reitor bem que tentaram. Ligaram para o gabinete do Ministro, que não estava - mas ninguém do gabinete sabia dizer como proceder para que fizéssemos o pedido de autorização. Aparentemente, eu tive a honra de ser a primeira professora a precisar da tal, e continuaria precisando. A alternativa, aventada por um funcionário do setor financeiro, que gerencia meu prêmio, era obter do próprio Reitor uma autorização para, em caráter excepcional, liberar o pagamento com uma justificativa. Mas o Reitor acabara de sair para um evento. Próxima alternativa? "Olha, Professora, faça a sua viagem, pague a inscrição no curso, guarde todos os recibos, e até a sua volta nós conseguimos a autorização do Reitor para então lhe reembolsar tudo".

Então aqui estou, a bordo de um avião a caminho de Chicago, pagando no meu cartão de crédito passagem, hotel e inscrição, torcendo para que o tal reembolso saia de fato antes da conta chegar. Ser cientista também é ter jogo de cintura e cartão de crédito sem limite pré-definido...

 

Wednesday
Feb162011

Hoje, 16/2, tem neurociência na Hora do Blush!

Por que a gente tem que dormir todos os dias? Por que café nos mantem acordados? O que são os sonhos? As respostas da Neurocientista de Plantão a essas perguntas e outras curiosidades sobre o sono você ouve hoje na Rádio Sulamérica Paradiso FM, 95.7, das 17 às 19 horas, no programa Hora do Blush. Não perca!