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Comentários da neurocientista de plantão sobre a vida, o universo, e tudo mais

Entries in A vida o universo e tudo mais (31)

Thursday
Sep032009

A falácia da vida sem dor

Escrevendo para o blog de ciências da Folha de São Paulo, Rafael Garcia comenta que o filósofo Adam Shriver, vegetariano para evitar o sofrimento animal, propõe que pecuaristas produzam animais geneticamente modificados para não sentirem dor - numa provocação a outro filósofo vegetariano, Peter Singer (sou fãzoca deste, mas isso é outra estória).

É possível criar animais que não sentem dor? Sim, claro. Existem, inclusive, humanos que devido a uma modificação genética natural não sentem dor alguma. Shriver pensa que isso seria fonte de felicidade para as galinhas.

Tolinho. Uma vida sem dor é uma maldição. As pessoas que sofrem - repito, s-o-f-r-e-m - dessa condição têm vida curta, em geral de não muito mais que 30 anos, resultado de infecções generalizadas causadas por lesões repetidas aos pés, mãos e articulações. Mutilam-se e não sentem nada. Quebram os ossos, e só descobrem quando é tarde demais. É felicidade viver assim? Não acho.

Pergunta a Folha: criar animais sem dor deve ser uma meta da biotecnologia? Minha resposta: Certamente não! É a dor que nos dá limites. Mais correto que eliminar a sensibilidade à dor para ter licença para ser cruel com animais, "porque não dói" (que vegetariano de araque...), é ser consciente e evitar causar dor desnecessariamente.

Em tempo: sou carnívora convicta e adoro um churrasco. Sim, boizinhos são lindinhos, mas a-do-ro um filé mignon. Não quero que nenhum animal sofra desnecessariamente, mas uns morrerem para virar comida para outros continuarem vivendo é apenas parte da natureza - e não foram os humanos que inventaram isso!

Thursday
Sep032009

Como abrir as asas em duas horas

 

 

 

 

 

Post bacana em um dos sites que eu acompanho: uma sequência de imagens de uma libélula saindo da casca e inflando suas asas em pouco mais de duas horas. Isso mesmo, inflando: é uma das maneiras que a natureza tem para fazer estruturas aumentarem de tamanho. Outras são aumentar o número de células no tecido; aumentar o tamanho das células no tecido (geralmente em combinação com o aumento do número de células); e aumentar o espaço entre as células (por exemplo, a espessura da parede celular que envolve as células das plantas).

As asas dos insetos são infladas pela injeção forçada de hemolinfa para dentro dos vasos, então vazios, das asas. O inseto consegue isso engolindo ar e então contraindo o abdômen para que a pressão force a hemolinfa em direção aos vasos das asas (os "risquinhos" em meio ao tecido transparente). Note que a libélula já sai da casca com as asas no lugar - mas enrugadas; em cerca de duas horas, os vasos das asas se enchem de líquido, o tecido se estiiiica... e voilà, asas! (A sequência completa de fotos está disponível no post original). É uma das maravilhas da natureza, não é?

E o que isso tem a ver com neurociência? "Oras, contrair o abdômen para forçar hemolinfa para as asas deve exigir um cérebro". Sim - e não. O cérebro é necessário para produzir um hormônio de eclosão, que então age sobre gânglios no tórax que cuidam dos movimentos do abdômen. Mas só isso. Em 1974, dois cientistas mostraram que larvas decapitadas logo após eclodirem e desenrolarem a probóscide não conseguem abrir as asas. Mas se a decapitação for atrasada em apenas 5 segundos, tempo suficiente para o cérebro produzir o hormônio necessário para agir sobre o tórax, tem-se um inseto sem cabeça... que desenrola suas asas tranquilamente, ao longo da hora seguinte! Isso, sim, deve ser bizarro...

Thursday
Aug202009

...e já vem com bombas!

Deve ser uma das maiores emoções na vida de um biólogo: descobrir uma espécie nova, sobretudo quando ela é bizarra - e ainda publicar o achado na prestigiosa revista Science.

Se o bicho ao lado não lhe parece bizarro o suficiente, considere o seguinte: trata-se de um verme anelídeo sem olhos que vive a mais de 2 km abaixo da superfície do Oceano Pacífico, cujo corpo, de quase 5 cm, é adornado por leques de cerdas que funcionam como remos, e traz na parte da frente um arsenal de... bombas luminescentes (na seta).

As "bombas", como os pesquisadores chamaram essas estruturas, são bolinhas que o animal pode "desprender" do próprio corpo, num processo rápido de autotomia que faz com que elas subitamente gerem uma explosão luminosa. Boa tática para distrair um predador enquanto você dá no pé - ou nas cerdas.

Prato feito para o pessoal que gosta de catalogar bichos esquisitos para dizer que só um Arquiteto Inteligente poderia ter planejado tamanha improbabilidade e ainda resolvido (por capricho ou brincadeira?) colocá-la a vários km de profundidade, onde seria necessário um punhado de cientistas munidos de um caríssimo brinquedinho de controle remoto para achá-la. Prato feito, também, para quem usa a mesma improbabilidade para dizer que somente milhões de anos de evolução combinando acaso e seleção natural poderiam ter gerado coisa tão simples, elegante, e... despropositada (eu voto nestes!).

Sunday
Jul262009

Achei!

Me deixa em paz, de Monsueto, nas vozes de Alaíde Costa e Milton Nascimento. Um samba-lamento, lindo, poderoso, com uma levada de surdo por baixo abrindo caminho. Estava encasquetada com essa música desde que botei Milton para tocar no iPod ontem, enquanto trabalhava, e não encontrei na lista essa música que eu tinha certeza que estava em um dos álbuns dele.

Liguei para minha mãe, porque afinal era ela que tinha gravado a fita para mim nos idos tempos em que eu morava fora e ela ficava me mandando cassetes de músicas brasileiras em sua campanha para eu eventualmente lembrar de voltar para casa. Ela alegou falha de memória quanto ao álbum, mas lembrava da letra (que eu também lembrava, inclusive conseguia ouvir a música na cabeça - mas queria a versão original, sensorial mesmo).

Nada que o santo Google não resolvesse: música de Monsueto, gravação de Alaíde Costa e Milton no álbum Clube da Esquina (do qual apenas metade eu tinha no iPod, donde a ausência lamentável da música em meu acervo portátil!). E mais: o YouTube tinha um vídeo dos dois cantando a música, em um arranjo liiiiindo, bastante parecido com o que eu conhecia do disco. Fica o vídeo inserido aqui embaixo, para eu nunca mais perder de novo! Se você ainda não conhecia, não deixe de ouvir...

Sunday
Jul262009

Ah, os cabelos brancos...

Estou sabendo tudo sobre as celebridades da semana. Também, foram sete - isso, 7 - horas no salão, acompanhada inevitavelmente por Quens e Caras, em um longo sábado para devolver a cor natural ao meu cabelo, que fazia um ano que eu vinha tentando pintar sozinha (o resultado das minhas tentativas? De fato não se viam mais os cabelos brancos que já salpicam minhas têmporas, e a parte de trás do cabelo ainda era marrom, como deveria ser; mas a frente tinha ficado quase preta, dado meu amadorismo. Depois que anunciei minha decisão de parar de improvisar e pagar para deixar um cabelereiro realmente bom colocar a coisa no lugar, meu marido confessou - depois de reafirmar que achava meu cabelo lindo de qualquer forma - que aquela cor escura na frente realmente me dava ares de Snape...).

Tudo isso por causa de uma injustiça da natureza: homens de cabelos brancos ficam lindos, e nós mulheres ficamos apenas... velhas. É, sim, velhas. Que aquela autora defenda seu direito de ficar grisalha e se achar linda o quanto quiser, mas cabelos brancos continuarão nos envelhecendo. Porque fato é que cabelos brancos, causados que são pelo acúmulo de radicais livres - leia-se "água oxigenada" - nos folículos capilares com o tempo, são sinal inequívoco de idade e experiência. Sendo assim, por razões evolutivas, quem tem cabelos brancos é, logicamente, bem-vivido e portanto mais desejável aos olhos das mulheres, se for homem (já que a maturidade de fato os torna mais responsáveis e melhores pais, sem afetar sua fertilidade) - ou somente bem-vivida e portanto idosa aos olhos dos homens, se for mulher (já que a maturidade, apesar de todas suas vantagens, torna as mulheres inférteis). Como eu não me sinto tão velha como meus cabelos brancos fariam crer, quero-os fora da minha cabeça. E não para que os outros me achem mais nova; é que a imagem deles no espelho não combina com como me sinto. Gosto de poder esquecer que os tenho.

Sempre pensei secretamente que uma questão semelhante explica a obsessão generalizada por louras. Como elas tendem a ter a pele muito branca e a envelhecer mais rápido em sua aparência, uma mulher de pele ainda jovem exibindo cabelos louros talvez pareça, ao cérebro de quem vê, mais jovem do que seria esperado pela cor de seus cabelos, e portanto talvez, pelas mesmas razões evolutivas, mais desejável do que seria de outra forma. Não sei se procede - mas combina com a piadinha maldosa que ouvi uma vez acerca de mulheres idosas: "as mulheres não ficam grisalhas; ficam louras".

A parte peculiar é que, antes de voltar a ser morena de cabelos castanhos, tive ontem meus momentos de loura, com os cabelos descorados artificialmente por quantidades cavalares de radicais livres (é, ironicamente os mesmos que eu gostaria que parassem de descorar naturalmente meus cabelos). Meu marido, que esperava pacientemente escrevendo por perto, reprovou o visual. Ainda bem: ele me prefere morena, do jeito que eu sou - e pretendo continuar sendo, apesar da "experiência" que se acumula em minhas têmporas. Ontem mesmo ele já me viu sair sorrindo da frente do espelho de casa várias vezes, feliz com o resultado e sacudindo os cabelos novamente marrons, e concordou que foram muitos dinheiros muito bem investidos. Salve Zezinho, artista das tintas. E viva a química!

Sunday
Jun282009

Inspecionada por chimpanzés, abraçada por macacos-aranha

Aproveitei a manhã de folga entre duas palestras no interior de São Paulo para visitar o Santuário de Grandes Primatas de Sorocaba, mantido pelo Dr. Pedro Ynterian, com quem havia trocado e-mails quando jornais variados publicaram matérias sobre nosso trabalho no laboratório sobre cérebros de primatas. Pedro mantém no Santuário 48 chimpanzés, a maioria recolhidos de circos e zoológicos, mas alguns já nascidos lá.

Fui muitíssimo bem recebida - e fiquei muitíssimo impressionada. Pedro, empresário do setor de microbiologia, mantém o Santuário somente com recursos próprios: do governo, só recebe fiscalização acirrada do IBAMA (e animais recolhidos pelo órgão; além dos chimpanzés, são dezenas de macacos, micos e babuínos, sem falar nos leões, ursos e tigre). E que santuário: somente nos mais ricos zoológicos, como o de San Diego, nos EUA, vi chimpanzés abrigados com tamanho espaço, conforto e segurança.

Sem falar no carinho. Ao nos aproximarmos do primeiro recinto, onde fica Guga (o primeiro chimpanzé do Santuário, comprado de um criador há 10 anos), os animais ouvem a voz de Pedro e começam a chamar por ele com gritos que, para uma estranha, soam ameaçadores. Mas são pedidos de atenção e carinho. Ao fazermos a ronda de todos os recintos, enquanto Pedro e Camila (a simpática veterinária do Santuário) cumprimentam e verificam o bem-estar de todos os chimpanzés, a cena se repete: chamados, mãos estendidas para fora das grades, olhares amistosos (para eles; os olhares que recebo são, naturalmente, desconfiados: quem é essa estranha?), pedidos de beijos, carinhos nas mãos e nos cabelos de Camila.

Não que chimpanzés sejam seres invariavelmente dóceis. Várias vezes eles vinham correndo e berrando em direção às grades, sobre as quais se jogavam com um enorme estrondo que ressoava no ambiente azulejado. É francamente apavorante ver esses animais musculosos de 60-70 kg e caninos gigantescos correrem em sua direção. De nada adianta saber que a razão da corrida é empolgação, que as grades são fortes e resistentes, que os gritos ensurdecedores são chamados (quase sempre) amistosos: meu cérebro ligava o alarme e queria me jogar contra a parede, bem longe das grades! Chimpanzés são, de fato, potencialmente perigosos. A única pessoa que entra nos recintos é Pedro - e, mesmo assim, somente com os machos do grupo de Guga. "Os machos são transparentes, demonstram claramente se estão tranquilos ou irritados. Mas as fêmeas são traiçoeiras, não fico sozinho com elas de modo algum", diz Pedro.

Eu, chegar perto das grades? Nem pensar - até que chegamos ao recinto de Luke (nas fotos acima), um chimpanzé enorme que veio cumprimentar Camila e lhe fazer grooming (a demonstração suprema de carinho entre primatas, humanos inclusive), e depois deu a volta à outra grade para cumprimentar Pedro. Eu estava bastante perto tirando fotos quando Pedro viu que eu estava de botas e me convidou a me aproximar: chimpanzés tem uma tara particular por sapatos, sobretudo botas com zíper e tênis com cadarços.

E então... fui inspecionada por um chimpanzé. É uma sensação única e indescritível ser inspecionada por outro primata, sobretudo um tão próximo de nós. Luke apertou delicadamente meus dedos dentro da bota, como que à procura deles; levantou a barra da calça, achou a borda da bota e a meia por dentro, enfiou gentilmente os dedos por dentro da meia e acariciou-me a pele; achou o zíper, usou os dedos das duas mãos para abri-lo. Pedro me disse que eu poderia sentar-me e pegar a mão dele. Que coisa insólita, segurar a mão de um chimpanzé e fazer-lhe carinho em seus dedos. São enormes, grossos, fortíssimos e quentes - mas ternos, quando entregues ao carinho de um humano.

A sessão de carinho se repetiu com duas macacas-aranha, um animal que eu até então só havia admirado à distância, em zoológicos: são aqueles animais absolutamente negros, esguios, de cabeça pequena, e cuja longa cauda preensil funciona como um quinto membro. Ao verem Pedro, as macaquinhas estenderam braços, pernas e cauda para fora das grades e abraçaram-no entusiasmadamente. Pedro me puxou para perto - "essas são muito carinhosas, pode chegar perto!" -, e logo eu tinha em minhas mãos as mãos delas, de pele preta, dedos longos e gelados, bem como seus pés, de dedos ainda mais longos e finos, e seus rabos. Elas se espremeram contra a grade para receber carinhos na pele; me abraçaram; não me deixavam ir embora. Estudar o cérebro desses animais e saber que o nosso é apenas uma versão grande do deles só torna a experiência do contato direto com macacos e chimpanzés ainda mais mágica.

E quando eu pensava que havia visto todos os primatas... havia uma especial dentro da casa do Santuário: Sofia, uma chimpanzé de dois meses, nascida no Santuário mas rejeitada pela mãe. Sofia tem tratadora própria (sua Mãe humana dedicada integralmente a ela), e é o xodó de Vânia, esposa do Pedro.

Tudo isso porque Pedro tem como sua missão pessoal lutar para que os chimpanzés tenham seus direitos como pessoas reconhecidos, e não sejam mais criados em circos nem mantidos em zoológicos sem condições. Seu sonho mesmo seria ver esses animais reclassificados como Homo troglodytes (como Lineu originalmente fez), isto é, voltarem a compartilhar do mesmo gênero que nós, humanos. Explico-lhe que essa parte será difícil, porque entre os humanos e os chimpanzés, de fato nosso parente vivo mais próximo, a ciência já reconhece dois outros gêneros, ainda que extintos: Australopithecus e Parapithecus. E, de qualquer forma, ser reconhecido como Homo infelizmente não garante a ninguém receber tratamento humano.

Por outro lado, cada vez mais a ciência reconhece que chimpanzés, como outros grandes primatas, compartilham conosco as mesmas características que nos tornam pessoas: são seres dotados de empatia, capazes de se colocar no lugar do outro, de planejarem para o futuro, de se reconhecerem no espelho, de criarem vínculos afetivos e sociais, de fazerem alianças - e até de enganarem os outros propositalmente. Algumas horas em sua companhia deixam isso bem claro. Uma pena que interagir com chimpanzés tenha que ser, para o bem deles, um privilégio de poucos.

Saturday
Jun272009

Uma privada peculiar: explicações, por favor?

Tenho meu banheiro favorito no aeroporto de Guarulhos: o feminino para deficientes do desembarque, bem na descida da escada rolante. Como os arquitetos do aeroporto não se tocaram que os usuários de seus banheiros provavelmente precisariam de espaço para maletas de rodinhas (as cabines exigem ginástica para se entrar com a maleta), e como invariavelmente encontro o espaçoso banheiro para mulheres deficientes vazio, vou sempre lá.

Agora, alguém me explique, por favor: por que diabos a privada desse banheiro, e de outros para deficientes (mas *jamais* a de banheiros comuns), tem um BURACO cavado na frente, bem no lugar onde bate o jato de xixi? É só pra deixar as mulheres preocupadas, ansiosas, tendo que se inclinar para a frente na hora de se aliviar para garantir que nem suas roupas nem o chão ficarão encharcados de xixi? É galhofa, ou tem alguma função de fato para as usuárias deficientes? (Ainda assim, imagino que também elas fiquem preocupadas em não sujar suas roupas com a própria urina - razão de ser, aliás, dos banheiros...)

Alguém sabe???

Saturday
Jun272009

Bem-estar, longevidade, aposentadoria - e Arnaldo Antunes

O evento para a Bradesco Vida e Previdência, sobre longevidade, foi em um hotel chiquérrimo, com um palco chiquérrimo super high-tech, com projeção dupla em uma enorme tela digna de cinema. Antes da minha palestra, sobre bem-estar (afinal, de que serve ter uma vida longa se ela não tiver qualidade?), a organizadora me avisou que haveria o (inevitável, já aprendi) "vídeo institucional".

Uau, e que vídeo. A música eu já conhecia, pois faz parte de um dos meus discos favoritos que me acompanham nas longas horas ao microscópio: Se Assim Quiser, do disco Saiba, do Arnaldo Antunes.

O que não me havia ocorrido (em parte também porque meu cérebro tem o hábito peculiar de ignorar solenemente a letra das músicas e só dar bola para a melodia) é que, de fato, a letra se presta perfeitamente a um vídeo sobre aposentadoria bem-sucedida. Enquanto Arnaldo Antunes cantava "Acabou a hora do trabalho/começou o tempo do lazer/você vai ganhar o seu salário/pra fazer o que quiser fazer/o que você gosta e gostaria/de estar fazendo noite e dia/ler, andar, ir ao cinema, brincar com seu neném/e até mesmo trabalhar também", o vídeo mostrava... velhinhos e velhinhas sorridentes curtindo a vida. Quando chegou na parte sobre "encontrar a namorada ou o namorado" e os velhinhos de mãos dadas se beijaram, eu já estava à beira das lágrimas - num misto de surpresa de ver a música apresentada daquele jeito e ternura por aquelas imagens e pela idéia de um dia virar uma velhinha sorridente com meu marido. Não sou cliente do Bradesco, mas uma aposentadoria assim eu também quero!

Saturday
Jun272009

Como é bom não ser organizadora de eventos!

Foram três palestras em dois dias: uma no Rio, uma em Santos e uma em Sorocaba, organizadas por duas empresas diferentes. Passei a semana assegurando a cinco moças (e fazendo esforço para lembrar qual palestra e cidade correspondia a qual moça!) que sim, eu estaria no local marcado no horário marcado; sim, eu tinha o número do voo; não, eu não uso powerpoint e portanto não adianta mandar a palestra por e-mail (nem posso, são arquivos enormes); não, eu uso meu próprio computador, obrigada; sim, eu chegarei mais cedo para testar a apresentação.

Minha vontade sempre era dizer "Não se preocupe, vai dar tudo certo", ou "Não se preocupe, eu prometo estar acordada no horário marcado e a postos para ser apanhada pelo motorista". Mas resolvi honrar a profissão dessas moças: afinal, sua função *é* se preocupar. Ao sentir o impulso de dizer "eu já disse que sim, não se preocupe" ao quinto telefonema preocupado do dia, eu respirava fundo e colaborava: Sim, eu recebi o e-mail com o nome do motorista, obrigada; sim, 7 da manhã, combinado; sim, eu tenho o nome do hotel, obrigada.

O melhor da estória é que, como elas se preocupam, *eu* não preciso me preocupar. Basta fazer a minha parte: estar acordada, de mala feita e palestra pronta, e disponível na hora marcada. Daí em diante, nada do que se segue - tirando dar a palestra direito - é meu problema. Não estou preocupada com o horário do voo, com o trânsito, não me preocupo nem em lembrar do nome do hotel ou em saber como chegar lá. Pensando bem, é um mimo enorme: só preciso me preocupar em fazer o meu trabalho...

Muito obrigada, então, Maira, Anita, Ana Luisa, Bárbara e Eloísa, por se preocuparem em meu lugar!

Sunday
Jun212009

Do rabo do pavão a maquiagem e cabelos lisos

Por que cabelos lisos são os preferidos da grande maioria das mulheres - e dos homens também, que preferem vê-las assim? Aliás, por que maquiagem faz tanto sucesso?

É minha bronca com cabelereiros: o default deles é alisar o cabelo feminino com a escova, e passá-los a ferro (mais conhecido como "prancha") se for preciso. Meu cabelo faz cachos largos, e eu gosto deles. Está certo que os fios do alto da cabeça são mais lisos e os de baixo, na nuca, bem enrolados - o que dá uma aparência um tanto peculiar se não for ordenada de alguma forma. Mas daí a explicar ao cabelereiro da vez que eu NÃO quero meu cabelo estupidamente liso são outros quinhentos.

Donde a pergunta do dia: por que cabelos obviamente tratados - escovados, alisados, penteados, qualquer coisa menos o natural "secado-ao-sabor-do-vento" - são tão populares entre elas e eles? Minha resposta, de cunho fortemente evolutivo, é a seguinte: justamente porque são obviamente tratados. O mesmo vale para a maquiagem, já que pálpebras sabidamente têm cor de pele, e lábios, cor de boca.

Pense no rabo do pavão: tem um custo enorme para o pobre do bicho em energia, peso, chateação e vulnerabilidade a ataques. Portanto, se um pavão exibe um rabo exuberantemente colorido, sem falhas, é... porque pode! Na prática, esses pavões são os que têm mais filhos - o que indica que os pavões que conseguem arcar com o rabo exuberantemente plumoso recebem a preferência das fêmeas. O rabo do pavão é um sinal de saude e poder - no modo Pavão de ser.

O mesmo deve valer para a maquiagem e os cabelos obviamente tratados: dado o seu custo em tempo e dinheiro, a mulher que os exibe o faz porque... pode. Ela tem saude e poder - no modo Humano de ser.

Nada contra maquiagem e uma escova no cabelo, não me entendam mal. Aliás, desde que minha irmã me apresentou ao rímel (só nos cílios superiores, por favor, senão fica grudando, é um horror) e a Silvana, cabelereira do Fantástico, me apresentou à combinação escova + babyliss, eu virei adepta de uns cuidados a mais - sem perder minhas ondas. Ainda mais agora que descobri um secador de cabelos multifunção na Polishop (minha primeira compra na Polishop! Nunca pensei que compraria algo na Polishop)!