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The neuroscientist's brain

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Comentários da neurocientista de plantão sobre a vida, o universo, e tudo mais

Monday
Jan192009

Procrastinar é...

Sempre que tenho coisas demais por fazer penso, por dois segundos, que adoraria me descobrir um dia sem nada para fazer. Lembro-me logo em seguida que, na verdade, detestaria não ter nada para fazer na vida - embora não tenha nada contra uns dois ou mais dias de férias, absolutamente à toa, em que possa decretar que somente vou pensar no que tenho para fazer depois de alguns dias de ócio.

Com o excesso de coisas interessantes por fazer, que é meu estado habitual, descubro que preciso de uma nova definição para o verbo "procrastinar". Nada daquela obviedade de "deixar para amanhã o que é preciso fazer agora". No meu caso, procrastinar é redefinido como "fazer agora o que deveria ser deixado para amanhã". Por exemplo: deveria, neste momento, estar escrevendo minha coluna para a Folha de SP desta quinta, terminando de montar a palestra que vou dar nos EUA, para onde embarco depois de amanhã, analisando dados para os artigos que vou finalizar lá com meus colaboradores, encomendando material para o laboratório, ou jogos novos para o Wii das crianças - qualquer coisa *menos* ficar colocando fotos e posts novos em meu blog. Mas não: cá estou procrastinando, no meu sentido da palavra.

Hora, então, de deixar de procrastinação, e escrever a coluna para a Folha. Comprometi-me, no final da coluna anterior, duas semanas atrás, a dar dicas neurocientíficas nesta próxima coluna sobre o que pode ser feito para que a chama cerebral da paixão (a ativação do sistema de recompensa pela pessoa amada) seja duradoura. Onde é que eu fui amarrar a minha mulinha...

Monday
Jan192009

Por um sentido na vida

Passando os olhos pelos livros novos no tempo de espera em um desses aeroportos, um livrinho chamado "Prazer em Conhecer" me chamou a atenção, dentre a mesmice de segredos de família, irmãos perdidos, dramas orientais e mulheres de trinta e poucos com dinheiro demais e homens de menos (ou vice-versa). Era a transcrição de uma entrevista simultânea com duas figuras que acho admiráveis: Miguel Nicolelis e Drauzio Varella. Achei interessante a oportunidade de ler suas histórias contadas em conversa a Gilberto Dimenstein, mas o que me fez comprar o livro foi uma frase - uma única frase - de César Timo-Iaria, o neurocientista que primeiro orientou Miguel Nicolelis, na USP. Segundo ele, nas palavras de Miguel, o único propósito da vida seria... construir um propósito para a vida.

Estava ali um conceito que alimento desde quando, lá pelos 9 anos, descobri que morreria um dia - e assim também minha mãe, meu pai, minha irmã, todo mundo. "Pra que viver, se no final todo mundo morre mesmo?", lembro de perguntar em prantos, de uniforme da escola, para minha mãe. Não lembro da sua resposta exata, mas lembro que foi muito tranquila, e muito parecida com o que direi aos meus filhos quando eles descobrirem por sua vez que o fim é inexorável (pensei que esse momento havia chegado precocemente à minha filha, quem, em seu aniversário de quatro anos, choramingava na hora do bolo dizendo "Mas mamãe, eu não QUEro crescer". Mas era uma imitação, com entonação correta e tudo, de uma fala de Wendy, no filme Peter Pan. Que alívio!). Segundo minha mãe, a vida é a oportunidade que temos para descobrir o que nos deixa felizes.

Em algum momento, depois que parei de chorar, resolvi (o curioso é que lembro exatamente onde: no carro, entrando na Ilha), ainda criança, que não queria passar a vida procurando coisas interessantes para fazer apenas para preencher o tempo que me restasse; ao contrário, encontraria tantas coisas interessantes para fazer que precisaria de muito tempo de vida para realizá-las.

Concordo com Timo-Iaria que a ciência é um caminho e tanto para se construir um propósito pessoal na vida. São muitos os cientistas idosos que conheço que se mantêm ávidos pela vida, lúcidos, saudáveis e empolgados bem depois dos 80, e é tentador pensar que são impelidos pela necessidade de tempo para ir atrás de respostas às suas perguntas - e estas só fazem ser trocadas por outras, conforme respostas aparecem.

Mas descobri com meus filhos, e agora com meu marido, que outro propósito é igualmente grande, e também é empreitada para uma vida inteira: fazer feliz quem se ama. Acho que por isso tanta gente diz que as crianças dão um sentido às nossas vidas. Na minha, meu maior propósito é fazê-los felizes - e, no caminho, o que me fizer feliz de quebra ainda me ajuda a cumprir meu propósito de vida, no sentido estrito da palavra: uso, função, finalidade. Encontrar um propósito na vida, por definição, é finalmente sentir que temos uma função no mundo: servimos para alguma coisa. E se for para fazer feliz a quem tem por propósito nos fazer feliz, é o melhor dos mundos.

Monday
Jan192009

Qual é a mãe?

O fim de semana com os amigos reuniu quatro crianças - 3, 5, 8 e 9 anos - na mesma casa, com espaço de sobra para elas ficarem à vontade. Não brincamos de contar quantas vezes ouvimos a palavra "Mãe" sendo chamada por crianças que queriam água, brinquedo, carinho, comida, ajuda no banheiro, atenção, mais água, o papel que voou, ou só praticar a fala ou pontuar as frases, mas ficou a impressão de que "mãe" e suas variantes deve ser, de longe, a palavra mais pronunciada do mundo.

E aqui a curiosidade: na grande maioria das vezes, sabíamos de longe qual das três mães era requisitada. Como? Truque do cérebro, claro, que aprende a distinguir o chamado do próprio filho. Parece que, com a experiência, ocorrem modificações no córtex cerebral auditivo, responsável pelo processamento dos sons e sua diferenciação de outros (por exemplo, de "mães" produzidas por outros timbres de voz), e também nas estruturas do tronco cerebral que nos acordam e despertam a atenção: locus coeruleus e formação reticular mesencefálica ficam especialmente sensíveis aos chamados dos próprios filhos, mas não dos dos outros.

Muito útil, por sinal, quando uma de várias crianças chora à noite: somente a mãe certa acorda, e as demais seguem seu sono em paz. Embora meu marido, que trabalha madrugadas adentro no escritório, garanta que, desde que ele veio morar conosco, às vezes eu não acorde mais. Alguma parte do meu cérebro deve ter aprendido a monitorar, mesmo adormecida, quando ele ainda não está na cama, e portanto pode acudir a criança que chorar ou tossir... enquanto eu durmo o sono merecido das mães!

Monday
Jan122009

A entropia da minha cozinha tende ao máximo

Eu já suspeitava, mas agora a ausência prolongada das minhas ajudantes na cozinha não deixa dúvidas: minha cozinha é como uma célula viva, cuja entropia tende inexoravelmente ao máximo e só não chega a ele às custas de muito trabalho. Seu próprio funcionamento gera desordem, calor, detritos que se acumulam. Produzir uma refeição a partir de carnes e vegetais, como montar uma proteína a partir de aminoácidos, requer mobilizar maquinária e ingredientes coadjuvantes que tendem perniciosamente a não voltar sozinhos para seus lugares. Após lavar um sem-fim de copos e pratos e talheres, que tão logo voltam às suas gavetas já ficam sujos de novo, sinto-me como uma ATPase de plantão, incessantemente jogando íons de sódio e potássio, pratos e copos gradiente acima, contra o fluxo, contra sua tendência à desordem total, à entropia máxima. Tire a ATPase do sistema e ele ruma ao equilíbrio: à morte. Viver - como manter a cozinha arrumada - é a fina arte de manter um equilíbrio fora do equilíbrio.

Monday
Jan122009

Sobre como matar formigas

Há alguns meses recebemos visitas noturnas de formigas douradas gigantes. Elas vêm pela janela do jardim, passam pelo alto das paredes em direção aos quartos, e se reunem no canto do teto do corredor. Suas visitas recorrentes aos pontos de encontro de sempre (essas formigas faltaram às aulas do curso básico para insetos meliantes) facilitam minha ronda noturna com a lata de inseticida em punho: sei onde encontrá-las, e não hesito em despejar as piretrinas da vez sobre as formigas, que caem ao chão se retorcendo.

Por que conto isso? Porque recentemente ganhamos, em regime de empréstimo da casa da minha mãe, uma raquete-de-eletrocutar-insetos (e o que mais cair na rede), daquelas que todos os vendedores de sinal têm (exceto quando você resolve comprar uma, claro - donde o empréstimo). A intenção original era matar os pernilongos que ainda aparecem à tarde, mas o eleitorado daqui de casa logo resolveu testar a raquete nas formigas. Eu saquei o inseticida, mas meu marido, empunhando a raquete, foi mais rápido - e o resultado foi... chocante.

Mesmo. A formiga que inaugurou a nova técnica de execução doméstica morreu com um estalo de eletricidade digno de faísca e tudo. E eu me descobri - não há outra palavra - chocada, e duplamente: com o estalo, e com o meu choque com a eletrocução da formiga. Por que aceito alegremente matar formigas com um jato de inseticida (e, confesso, até com uma pontinha de prazer), mas repudio a idéia de eletrocutar uma formiga com uma raquete?

A explicação que me vem à cabeça foi uma descoberta do agora neurocientista Joshua Greene, ainda doutorando de filosofia em 2001, quando publicou um artigo seminal na revista Science mostrando que julgamentos morais, veja só, não são puramente racionais: envolvem regiões do cérebro responsáveis pelas emoções, sobretudo quando o dilema moral em questão é pessoal. Entre outras coisas, Greene mostrou que ainda que o problema e o resultado sejam iguais, tomamos decisões diferentes quando nos consideramos envolvidos pessoalmente na questão. Puxar uma alavanca para desviar um trem e causar a morte de uma pessoa inocente para salvar outras cinco, por exemplo, parece mais aceitável a muita gente do que empurrar com as próprias mãos um inocente de encontro à morte para salvar os mesmos cinco. Quando há envolvimento pessoal (e, nesse caso, julgamo-nos diretamente os agentes da morte do inocente), regiões do cérebro que processam emoções falam mais alto do que a razão - e dizemos então que aquilo é errado.

Acho que meu cérebro protesta da mesma forma contra a execução elétrica das formigas. O inseticida coloca um intermediário conveniente entre minha ação e a morte delas. Claro que eu sei, racionalmente, que as formigas ainda morrem por minha causa - mas parece que o lado emocional do meu cérebro não tem dificuldades em achar que, nesse caso, o agente imediato da morte alheia é o inseticida, e não eu. O estalo da raquete, por outro lado, torna a coisa pessoal demais (e real, também; acho que só matamos formigas, baratas e moscas sem problemas porque elas não gritam...).

Mas imagino que a coisa mude em um momento de fúria. Estou esperando um daqueles fins de tarde de verão no jardim em que os mosquitos começam a subir da grama e atacar canelas inocentes para por meu cérebro à prova. Quem sabe aí salvas de estalos elétricos de mosquitos morrendo aos punhados não soem como música para o meu cérebro?

Monday
Jan122009

O gênio da internet

O cérebro da gente fica estarrecido quando algo parece não ter uma explicação óbvia. Alguns dão de ombros; vários aceitam tranqüilamente explicações sobrenaturais; muitos insistem e ficam cada vez mais perplexos; e só um ou outro vai tentar entender como a coisa funciona.

Rodando na internet, o primeiro caso de que me lembro foi o truque do David Copperfield em que ele mostrava um conjunto de seis cartas de baralho, todas figuras, pedia para você escolher uma (via internet, mesmo), e - uaaau - "adivinhava" qual você escolhera, tirando-a do conjunto. Somente muitas repetições depois é que os mais obstinados descobriam o truque: a carta que você escolhe é tirada do baralho, de fato - bem como TODAS as outras cartas mostradas no início, que são trocadas por outras figuras correspondentes...

O gênio da vez se chama Akinator, e ele "descobre quem é a pessoa em quem você está pensando" - mas não sem antes lhe fazer algumas perguntas, claro, às quais você responde essencialmente com Sim ou Não. É a versão internética da brincadeira que me foi apresentada como "papel" no almoço de fim de ano do meu laboratório (preciso colocar no site, aliás, a foto oficial deste ano do laboratório, tirada no almoço, cada um de nós com um papel colado à testa com o nome do seu alter-ego). O primeiro jogo é de fato surpreendente, pois o programa tem uma taxa de acerto realmente grande. Mas o divertido é pensar no que há por trás do jogo: uma grande matriz de perguntas que vai sendo filtrada conforme o usuário responde sim ou não, até que resta uma única alternativa que atende a todo o conjunto de Sins e Nãos - a pessoa sobre quem você responde as perguntas. E, claro, o programa aprende com cada jogador que "ganha" do gênio acrescentando um personagem novo.

Como vi que dentre os personagens mais adivinhados está "eu", fui lá brincar de "eu", curiosa para ver qual seria o padrão que levaria à resposta - a ausência de qualquer padrão reconhecível, talvez, ou haveria perguntas específicas para revelar um "eu", já que o personagem é figurinha fácil no jogo? Respondi às perguntas... e o gênio errou! No banco de dados dele, a pessoa mais próxima de mim era uma apresentadora de televisão que eu não reconheço. Fui convidada então a entrar o nome do personagem... e qual não foi minha surpresa ver que meu nome já está no banco de personagens do jogo, e nada menos que 24 pessoas já tinham jogado pensando em Suzana Herculano-Houzel para o gênio adivinhar!!! Que bizarro...

Enfim: recomendo a diversão. Tente seu pai, seu vizinho (essa deve ser difícil!), atores, escritores, famosos e não-tão-famosos de qualquer país. E, claro, tente você mesmo. Quem sabe você também não descobre que mais alguém já brincou de "você"...

Wednesday
Jan072009

Paisagens neuronais

Há uma nova exposição no Rio, ótima dica para quem estiver de férias e em busca de um programinha interessante: Paisagens Neuronais, trazida pelo Instituto Cervantes diretamente de Barcelona para a Casa da Ciência, aquele espaço simpático ao lado do Canecão. Trata-se de uma seleção de imagens belíssimas do sistema nervoso, feitas por especialistas como parte do seu trabalho de rotina no laboratório, mas que de tão bonitas podem ser apreciadas por qualquer um como se fossem arte (a imagem ao lado é uma que está na exposição original, em sua versão completa: é uma foto do tronco cerebral do camundongo arco-íris, feita pela Dra. Jean Livet, no laboratório de Jeff Lichtman, que ganhou por sinal o primeiro prêmio da Olympus Bioscapes Digital Imaging Competition de 2007).

Fui lá antes da abertura gravar uma entrevista com a Sandra Passarinho para a Globo News, que fará um programa inteiro no Espaço Aberto Ciência e Tecnologia sobre a exposição; depois, conversei com os voluntários (na maioria, estudantes de iniciação científica) que guiarão visitas para o público às quartas e sábados, às 18h; fiz uma pequena apresentação sobre o valor daquelas imagens, e das técnicas por trás delas, na abertura da exposição... e voltei para casa, exausta (mas não sem antes passar pelas lojas em liquidação do Rio Sul!).

A exposição fica na Casa da Ciência até 15 de fevereiro. Participarei de uma mesa-redonda no dia 9 de fevereiro, segunda-feira, e vou também guiar uma visita e dar uma palestra para o público no dia 11 de fevereiro, quarta-feira. Vale muito a pena conferir.

Wednesday
Jan072009

E não é que funcionou?

No último domingo de 2008 foi ao ar o episódio "Por que o exercício faz bem pra cabeça?", do meu quadro NeuroLÓGICA, no Fantástico. Esse episódio foi feito especialmente para o fim do ano, como uma sugestão de resolução de ano-novo para começar 2009 com o pé direito: fazendo exercício. Fazer exercício promove a saúde vascular do cérebro, melhora a memória, reduz o estresse, faz nascerem neurônios novos no hipocampo, ajuda a manter a forma (essa faltou dizer!)... e ainda dá prazer! Se com o quadro eu conseguisse tirar ao menos uma pessoa do sofá, eu me consideraria no lucro.

E não é que a coisa funcionou? Cheguei na primeira aula de pilates de 2009 e, ao invés da sala vazia como de hábito, encontrei mãe e filha já no aquecimento. Puxei meu colchãozinho, juntei-me a elas, e a professora começou a dizer que tinha visto o quadro. A aluna-filha virou-se então para mim: "Ih, é você! Eu vim fazer pilates por causa do seu quadro no Fantástico!". Uma a menos no sofá, viva!!!

Segundo o tio do meu marido, várias academias chiques da Zona Sul estão passando o vídeo desse quadro na entrada, exortando os ainda não convertidos a virem, eles também, fazer exercício. Tomara que funcione. Taí uma nova função para a divulgação científica em cadeia nacional: tirar pessoas do sofá!

Wednesday
Jan072009

Por que marteladas dóem mais no ouvido alheio?

Você já notou que as marteladas dadas por você mesmo dóem bem menos do que as marteladas feitas por outra pessoa - apesar de suas próprias marteladas estarem em geral bem mais próximas dos seus ouvidos? O mesmo vale para furadeiras e saltos altos no sinteco (hoje foi dia de pendurar uma televisão na parede aqui em casa, e, em homenagem ao dia chuvoso, estou com minhas botas barulhentas favoritas) e a música que você escolhe ouvir (a dos outros sempre é irritantemente alta; a nossa, jamais!). Por que, por que?

A resposta está no cerebelo, que ajusta nossos órgãos dos sentidos de acordo com as informações que recebe deles, e também de acordo com suas expectativas de retorno sensorial. Se você abre um vidro de perfume para cheirar e descobre que o odor é muito mais intenso do que esperava, seu cerebelo intervem e aborta a inspiração rapidamente, antes que seu epitélio nasal "frite" com o odor forte. Se seu cérebro tem razões para esperar que o cheiro seja muito forte antes de enfiar o nariz na garrafa, o cerebelo tratará para que a "fungadinha" seja bem curta desde o começo.

O mesmo acontece no caso das marteladas: quando é o seu próprio cérebro quem as comanda, o cerebelo sabe exatamente quando esperar o barulho - e cuida de tensionar os ossículos da orelha interna, reduzindo a amplificação do som logo na entrada. Mas se as marteladas são comandadas pelo cérebro alheio... seu cerebelo não pode fazer nada.

Quem mostrou isso? Confesso que não sei. Ao menos a fonte é segura: soube disso em uma aula particular que ganhei de surpresa do James Bower, grande especialista em cerebelo, sobre "tudo o que você gostaria de dizer aos seus alunos sobre o cerebelo mas não pode porque não é o que os livros didáticos explicam". (Diga-se de passagem, depois da minha aula com ele eu mudei minha aula sobre cerebelo para meus próprios alunos, e agora ensino-lhes "coisas subversivas" sobre o cerebelo. Divertido, esse negócio de a ciência mudar nossos conceitos...). Mas voltando ao assunto: ainda não consegui achar no PubMed (sempre ele) uma referência sobre cerebelo, audição e retorno negativo. Você conhece? Se conhecer, mande para mim, por favor!

 

Wednesday
Jan072009

Quem disse que paixão só dura dois anos?

Escrevi há poucos dias para o meu site O Cérebro Nosso de Cada Dia o artigo "Quem disse que paixão só dura dois anos?", baseado em uma apresentação que vi na reunião anual da Society for Neuroscience nos EUA no final do ano passado. Era um estudo muito interessante e já estava fechado, o que significa que devia ser publicado em breve - mas uma busca no PubMed, o catálogo mais completo de publicações biomédicas, não mostrava ainda nenhuma publicação oficial do grupo. Por isso, o artigo no Cérebro Nosso cita apenas o trabalho apresentado no congresso.

Qual não foi minha surpresa ao ver, na primeira página do site do jornal O Globo de hoje, uma chamada para matéria semelhante, esta baseada em um artigo do Sunday Times. Será que o artigo científico original foi publicado e eu não vi? O curioso é que não consegui nem encontrar a suposta fonte no Sunday Times que cita Arthur Aaron, colaborador de Helen Fisher no estudo. Nova pesquisa no PubMed - e nada. Peculiar...

Se alguém encontrar o link para o artigo no Sunday Times ou para o artigo original do grupo da Helen Fisher, poderia por favor colocá-lo aqui nos comentários? Obrigada!

 

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