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Jun172013

No Brasil como na África: o estado da neurociência por lá - e por cá

Ai, ai. Os posters são quase todos medíocres - tirando um punhado do Sul. As palestras dos cientistas locais são, em sua grande maioria, sofríveis. A ciência essencialmente não inova, só repete. O impacto mundial da ciência feita ali é muito baixo. Soa familiar?
O estado da neurociência na África, onde estive para a reunião anual dos neurocientistas africanos, é tão sofrível que quase faz o Brasil parecer uma potência - mas o problema é o mesmo: a teimosia em dissolver recursos para fomentar a mediocridade ao invés de concentrar recursos para criar uns poucos centros de excelência. Ouvi de um dos participantes do IBRO (Internacional Brain Organization) uma proposta sensacional de concentrar recursos para criar quatro grandes centros de pesquisa e formação de recursos humanos nos extremos norte, sul, leste e oeste do continente, com condições de fazer pesquisa "a nível de pós-graduação", e deixar as universidades locais manterem seus poucos laboratórios "a nível de graduação" para fomentar a ciência por aqui. 

Seria uma excelente política de longo prazo: primeiro formar pensadores originais com recursos de trabalho (ao invés de continuar tendo apenas "cientistas" de nível de graduação), para que então essas pessoas pudessem fundar novos centros em seus países.

Acham que ele tem apoio? Não. Preferem continuar com a política de fomentar a sub-mediocridade (lembrem que "medíocre" não significa "sofrível", e sim apenas "mediano") espalhando bem fininho o pouco dinheiro disponível.

É o mesmo problema da ciência no Brasil: ficam dando dinheiro para uns projetos sofríveis só para dizer que dão dinheiro, ao invés de selecionar direito, reconhecer méritos e concentrar recursos naqueles que são de fato bons. Estive recentemente em uma reunião da FAPESP com a presença da Natura, interessada em investir na criação de um centro de pesquisa, onde a proposta de criar UM centro de excelência foi defendida apenas por mim e mais dois ou três: os outros vociferaram contra, argumentando que seria "injusto com as outras cidades". É a política do se-não-pode-ajudar-todos-então-não-se-ajuda-ninguém. E assim continuamos não fazendo nada.
Em meu próprio instituto, minha proposta/manifestação de esperança de que os grupos de pesquisa considerados "excelentes" por uma avaliação externa recebessem apoio especial foi atacada por uma colega que defendeu o investimento, ao invés disso, nos grupos avaliados como "fracos". Eta cultura danada, em que ser bom é feio...

 

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Reader Comments (3)

Americanos e Europeus tem a visão que a América Latina é terra de índios e África terra de tribos, o ser humano é um ser muito preconceituoso nos cinco continentes.

June 20, 2013 | Unregistered CommenterLucy Silva

Não exagere no uso das aspas. Fica "feio".

July 27, 2013 | Unregistered CommenterWilson

Infelizmente investiram em caes Labradores, e hoje em dia se ve pessoas dando mais valor a essa ´personas´do que o tal ´people´...
Neuronios quase espelhos , mal usados. Pelo avancar das ciencias as Neurociencia ainda esta de quatro.
abs

May 2, 2014 | Unregistered CommenterAlaer Garcia

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