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Apr222013

Não é "salami science", não; é falta de originalidade, mesmo...

Um artigo publicado na Folha de São Paulo mostra que a produção científica do Brasil aumentou, mas o impacto médio da nossa ciência, medido pelo número médio de vezes que artigos brasileiros são citados, caiu. O artigo da Folha cita duas razões possíveis: a inclusão de revistas brasileiras (de baixo impacto) na nova conta, e a suposta pressão por "fatiar" trabalhos grandes em trabalhos menores.

Eu não vejo esse problema; um trabalho de qualidade e relevância será citado não importa se "fatiado" ou não, pois não é a quantidade de resultados que torna um achado importante. O problema beeem maior em nosso país é falta de originalidade, mesmo, aliada à maldita tendência dos jovens de continuar nos laboratórios de seus ex-orientadores fazendo mais do mesmo. Pesquisa assim só tende a ficar cada vez mais focada em detalhes, cada vez mais míope, e portanto cada vez com menos impacto. Ideias originais, por outro lado, são as que têm mais chances de chamarem a atenção e ganharem público, citações - e, assim, impacto. 

Jovens, vão fazer coisas novas!!! Perguntem-se se querem mesmo continuar no mesmo laboratório após o doutorado investigando mais detalhes do mesmo assunto, ou se querem aprender a pensar em algo novo em um pós-doc! Pensem em novas questões, não apenas mais do mesmo!!!

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Reader Comments (3)

Que bom ler isso! Estou justamente no período de transição, do qual fui colocado em parte por meu orientador não ter mais vagas, e em parte por querer algo novo ou diferente. Estou repensando e reavaliando, e quem sabe apostando em algo novo quando tentar ingressar no doutorado. Haja leitura!

June 26, 2013 | Unregistered CommenterAndré

Suzana, o problema da falta de originalidade é a falta de vontade dos orientadores de acompanhar qualquer pesquisa que não seja A DELES. Eu estou me graduando na USP e vejo isso todos os dias, quem quer fazer um mestrado, um doutorado, um pós-doc, um qualquer coisa TEM que simplesmente achar orientador entre quem esteja fazendo algo da área de interesse e entrar para o séquito daquele pesquisador, e pronto.

NÃO EXISTE apoio para quem queira começar algo do zero, ou mesmo para quem queira estudar algo parecido, mas não exatamente igual, ao que já esteja sendo feito, porque ninguém quer apostar dinheiro em algo que não dê retorno garantido - o que é a maldição do Brasil desde 1500, diga-se de passagem.

Eu por exemplo gosto muito de biologia evolutiva, mas o campo que me interessa dentro da biologia evolutiva não tem pesquisa no Brasil, ponto. Eu vou ter que correr atrás de gente que, lá fora, começa a colocar o dedo do pé próximo do que eu quero estudar e rezar pra que alguém aceite me orientar, simples assim, porque aqui o sistema é fechado mesmo.

July 21, 2013 | Unregistered CommenterSuzana Luchesi

Suzana,

Concordo totalmente com o que se refere a falta de criatividade e ao continuísmo na ciência brasileira.

Mas me permita fazer uma crítica. Acho que você não entendeu o que significa salami science. É óbvio que o salami science acontece a rodo no Brasil e não acontece nos grandes centros.

Acredito que você tem uma opinião importante sobre um dos motivos do insucesso científico brasileiro, porém quis aproveitar pra cutucar o autor do artigo na Folha, que pegou no seu pé durante o programa "Roda Viva".

July 25, 2013 | Unregistered CommenterAlexandre Bisson

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