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Sep272012

Você quer mesmo ser cientista?

Vamos fazer as devidas ressalvas primeiro, antes que a polícia de plantão venha me dizer que estou fazendo um desserviço à ciência brasileira. É claro que gostaria de ver mais jovens se tornarem cientistas, e quero contribuir para isso. Mas decidi que faz parte do meu trabalho de divulgação científica tornar público e notório como é se tornar cientista no Brasil. Meus objetivos aqui são promover a conscientização das pessoas sobre a realidade da carreira de um cientista e, quem sabe, gerar com isso um certo espanto e revolta; e contribuir para que a escolha dos jovens por uma carreira em pesquisa seja consciente, apesar de tudo o que vem a seguir. Mas, sobretudo, o que eu gostaria é de gerar indignação suficiente para fazer a carreira de cientista (1) passar a existir de fato, e (2) ser valorizada.

Feitas as ressalvas, vamos então à minha campanha de anti-propaganda sobre a ciência no Brasil!

Você que é jovem e está considerando se tornar pesquisador: você sabia que...

- durante a faculdade, seus estágios de iniciação científica serão remunerados em apenas 400 reais - isso mesmo, menos do que um salário mínimo? Este é o valor atual definido pelo CNPq. E isso é SE você conseguir bolsa de iniciação científica, porque a Faperj, por exemplo, atualmente limita a sua concessão a UMA bolsa por pesquisador, e o CNPq-PIBIC a duas bolsas. Em um laboratório de tamanho médio, isso já não será suficiente para garantir bolsas a todos os estagiários - o que significa que é vexaminosamente comum termos estagiários trabalhando de graça;

- quando terminar a faculdade, a não ser que consiga emprego na indústria ou em empresas privadas, para fazer pesquisa você precisará concorrer a bolsas de R$ 1.350 para fazer mestrado? Enquanto isso, seus colegas formados em administração, engenharia, advocacia já estarão entrando para o mercado de trabalho, ganhando salários iniciais (com todos os direitos trabalhistas) de 3 a 7 mil reais reais ou mais. Ah, eu mencionei que, embora se espere que você trabalhe 40 horas por semana em dedicação exclusiva durante o mestrado, você não terá qualquer direito trabalhista? Isto porque o seu trabalho ainda não é considerado, ahn, trabalho...

- ...é mais fácil conseguir bolsa do Ciência Sem Fronteiras para fazer GRADUAÇÃO no estrangeiro do que conseguir uma bolsa de pós-graduação no país? É isso mesmo: exportamos nossos alunos de graduação, mas não temos bolsas suficientes para mantê-los na pós-graduação no país.

- quando você terminar o mestrado, a não ser que consiga emprego como pesquisador em empresas privadas (que são pouquíssimos), você terá necessariamente que fazer um doutorado? A razão é que o cargo de "pesquisador" em nosso país é quase inexistente; somente institutos de pesquisa como o INCA ou a Fiocruz oferecem emprego (através de concurso público) para pesquisadores (e muitas vezes exigem doutorado). Todas as demais possibilidades de emprego para um pesquisador são como "professor universitário" - e este cargo, também somente acessível por concurso público, é hoje essencialmente restrito a quem já tem título de Doutor.

- então, com 3 anos de formado, você terá que concorrer a bolsas de R$ 2.000 mensais para fazer doutorado? Isso, vou repetir: seus colegas já estarão no mercado de trabalho, ganhando salários reais, tendo seu trabalho chamado de "trabalho", com direito a férias e 13o salário - e, com sorte, você terá assinado um papel aceitando receber DOIS mil reais por mês pelos próximos 4 anos. E fique muito contente de ter uma bolsa: como dizem nossos detratores, você deveria ficar "muito feliz de estar sendo pago para estudar". Exceto que você não estará "estudando"; você estará trabalhando, gerando conhecimento, e contribuindo para as universidades publicarem os artigos científicos que lhes servem como base de avaliação no cenário mundial.

- que, durante todos esses anos de pós-graduação, para receber uma bolsa você NÃO poderá ter qualquer outra fonte de renda? Sim, você pode ter outro emprego e fazer pós-graduação sem receber bolsa - mas é pouco provável que consiga terminar a pós-graduação assim. Para receber uma bolsa, você será obrigado a assinar uma declaração humilhante de que não tem qualquer outra fonte de renda. Bom, mais ou menos; a Capes há um ano decidiu aceitar acúmulo de bolsa com "emprego de verdade" SE for na mesma área da sua pós-graduação. Adivinha qual é a chance de você ter esse "emprego de verdade"? Pois é.

- agora, com o diploma de Doutor em mãos, você terá ganhado o direito de competir por vagas para... Professor. Isso mesmo: não de "pesquisador", mas de "professor". Isso porque as universidades públicas, onde a boa ciência é feita no país, somente contratam "professores". Ou seja: com MUITA sorte, você será contratado, no mínimo SETE anos após a graduação, para fazer algo que você NUNCA fez: dar aulas. Seu salário inicial líquido (seu primeiro salário de verdade!) será algo em torno de 5 mil reais - mas não se engane, seu "vencimento básico", aquele que o governo usará para talvez um dia pagar sua aposentadoria, será de não muito mais do que 2 mil reais...

- é mais provável, no entanto, que você NÃO consiga emprego imediatamente, uma vez doutor, e tenha que ingressar no limbo dos pós-doutorandos? Um "pós-doutor" é exatamente isso que o nome indica: alguém que já é doutor, mas ainda não tem emprego. É um limbo criado pelo sistema para manter interessados os cada vez mais numerosos recém-doutores que não encontram emprego nem como pesquisadores, nem como professores. Pela mesma tabela do CNPq, um recém-doutor recebe uma bolsa de R$ 3.700 mensais, livres de impostos. Ou seja: lembra daquele salário inicial dos seus colegas recém-formados? Um aspirante a cientista finalmente conquista o direito a um valor semelhante... SETE anos após a graduação. Ah, claro: ainda sem qualquer direito trabalhista, pois você "não trabalha". Permita-me fazer as contas para você: a esta altura, você esta perto de completar 30 anos de idade, e oficialmente... "nunca trabalhou";

- A esta altura, você já será para todos os fins práticos um Cientista - mas ainda não terá direito de pedir auxílio às agências de fomento para fazer pesquisa? Para gerenciar um auxílio-pesquisa é preciso ter vínculo empregatício com uma instituição de pesquisa - e isso, tirando os pouquíssimos cargos de Pesquisador de fato na Fiocruz, INCA, IMPA etc, você só consegue se virar... professor universitário; 

- SE você conseguir ser aprovado em concurso para professor universitário E for fazer pesquisa de fato, você não inicialmente ganhará NEM UM CENTAVO A MAIS por isso? Você terá a mesma carga horária de aulas a cumprir, aulas por preparar e atualizar todos os semestres, mas o trabalho de pesquisa, com o qual você tanto sonhou, é... por sua conta. Se você resolver não fazer pesquisa e apenas der aulas, como você foi oficialmente contratado para fazer, está tudo bem. Talvez seus colegas torçam o nariz para você, porque esqueceram que também o emprego deles é apenas como professores, e não pesquisadores, mas você estará rigorosamente correto se só fizer seu trabalho de professor.

- Apesar disso tudo, sua progressão na carreira universitária será dependente do seu trabalho de pesquisa? Você leu corretamente: você foi contratado como PROFESSOR, mas sua avaliação funcional será feita de acordo com as suas atividades como PESQUISADOR...

- SE você tiver produtividade suficiente, em alguns anos você poderá concorrer a uma bolsa de Pesquisador do CNPq, que complementa seu salário em R$ 1.000 por mês. E isso é todo o incentivo financeiro que você receberá para fazer pesquisa.

Já desistiu? Pelo bem da ciência brasileira, espero que... sim. Esta é minha campanha de anti-propaganda em prol da melhoria da ciência no meu querido país: torço para que você tenha ficado indignado a ponto de considerar fazer outra coisa da sua vida. Precisamos de uma crise, e um desinteresse súbito da parte de nossos jovens seria muito, muito, muito eloquente.

Mas sei que a gente escolhe ser cientista assim mesmo, apesar de tudo isso. Quando eu entrei para a Biologia, em 1989, a situação era ainda pior. A ciência no país persiste graças a esses jovens idealistas, que querem contribuir para o progresso da nação apesar de serem mal-tratados e desvalorizados, e que topam embarcar em uma "carreira" que não lhes dará condições financeiras para terem uma vida independente antes dos TRINTA anos de idade - e olhe lá...

 

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Reader Comments (233)

Isso ainda é bem pior na Alemanha. Aqui, depois de fazer o(s) pós-doc(s) vc ainda tem que fazer Abitur, que demora mais uns 7 anos. Então, antes de ter o título de "Professor" vc tem que ter o abitur e ainda dar alguns anos de aulas como Lehrer (um tipo de professor sem esse exato título) . Esquece bem de longe os 30 anos! Aliás, acho que não há nada demais em cristalizar uma carreira depois disso. Acho que criamos muita expectativa social ao redor dessa idade, como se aos 30 anos tudo tivesse acabado e precisássemos já estar totalmente "settled". Enfim, uma vez que você é "Professor" na Alemanha, daí você realmente ganha bem. Mas dê-se por contente se isso acontecer aos 40-45 anos. Quanto a ser pesquisador, daí a coisa é diferente. Aqui, vejo um pouco mais oportunidades em empresas(desde que seu alemão te permita).
Então, só para relativizar, academia não é só difícil no Brasil. Até que aí é mais fácil ser Professor do que aqui.

September 27, 2012 | Unregistered CommenterElizabeth

Já que já falaram da Alemanha, não vejo nenhum lugar onde aluno de pós-graduação tenha uma vida boa e ganhe bem. Nos EUA poucos tem bolsa, a maioria paga a tuition e recebe ajuda de custo trabalhando como TA ou RA, e ainda ganha mal. Ou seja, ganha mal como aqui, mas tem mais trabalho (além da carga de trabalho da pesquisa em si). Os alunos de pós nos EUA fazem o grosso do trabalho que gera publicações e prestígio, mas recebem muito pouco por isso.

Antigamente, isso era visto como um investimento para uma carreira de grande prestígio e bons ou ótimos salários. Mas com o aumento no número de doutores lá, é bem difícil arranjar vaga de Professor nos EUA. É comum um egresso fazer vários post-docs enquanto espera uma vaga. Pior ainda é entrar em uma vaga de tenure-track e, depois de 5-6 anos de muito trabalho, não conseguir tenure, você tem que basicamente começar de novo em outro lugar. A diferença, realmente, são as vagas para trabalhar como pesquisador na indústria, que existem bem mais que aqui para várias áreas.

Por outro lado, aqui sobram vagas de prof. Adjunto em algumas universidades. Aqui no NE pelo menos já vi vários concursos que não preencheram as vagas e tiveram que reabrir o concurso para mestres. Doutores recém-formados dificilmente ficam sem emprego muito tempo.

Resumindo, concordo que a situação não está muito boa na academia, mas não é só no Brasil. Talvez aqui esteja até melhor, em alguns aspectos, que em outros lugares.

September 27, 2012 | Unregistered CommenterAndrei

Parabéns pelo excelente texto! Quando no termo de outorga se diz "dedicação exclusiva" é isso mesmo que quer dizer, pois vc não tem tempo para mais nada mesmo (família, amigos, vida, etc). Agora, o mais DEPRIMENTE mesmo é lembrar que um assessor de deputado, um aspone qualquer, que mal tem o ensino fundamental completo (e hj em dia os jovens saem do ensino médio praticamente analfabetos funcionais), saem ganhando mais de 20 mil reais para não fazer nada, eqto a classe científica brasileira que é superbemvista no exterior é tal mal-valorizada dessa maneira...

September 27, 2012 | Unregistered CommenterFernando

Primeiramente respondo a colega sobre a Alemanha, esse título de Professor ao qual você se refere é equivalente ao Professor Titular aqui no Brasil que ainda é muito mais distante do que a Suzana apontou.

Agora ao ponto:

Cara Suzana,

acho todas as suas críticas válidas mas acho que outros pontos, ainda mais graves, devem ser esclarecidos. Quanto ao financeiro, é ruim mesmo, mas ele não te impede de fazer ciência. O que lhe impede de trabalhar e competir internacionalmente é a péssima infra-estrutura do país e os preços de reagentes sem precedentes que pagamos aqui. Esses reagentes chegam a nós, muitas vezes, sem qualquer garantia de que ficaram bem acondicionados no "vault" da ANVISA e Receita Federal, porque algum detalhe de algum formulário bizarro faltou. Isso estamos falando de um produto que claramente não tem NENHUM uso fora do seu laboratório!!!
E aí você deve se perguntar: porque o governo do país resolveu expandir as universidades brasileiras se não tem condição de dar suporte as que já existem? A minha impressão é que foi a ganância por bons "indicadores".
Isso sim é extremamente frustante pois é independente da sua vontade de trabalhar e do tanto que você se dedica. Enquanto um amigo seu de fora do país teve uma ideia, compra um anticorpo e em no máximo três dias vai fazer o experimento, você (se quiser comprar o seu anticorpo com um preço justo) vai esperar em torno de SEIS meses.
O que frusta é não ter apoio administrativo e ter que além de dar aulas, fazer sua pesquisa, ser secretário, eletricista, bombeiro e etc...
Quanto ao contrato que se assina quando entra na universidade ele não diz que você deve ser só professor, ele também fala que você deve fazer pesquisa ou extensão. O que acontece é que no Brasil se esquece que para uma universidade ser universidade, ela deve gerar conhecimento e não só repetir o que está nos livros.
Enquanto o país pensar só nos indicadores e não no processo, não faremos ciência competitiva, que será citada. Não faremos a atualmente "badalada" inovação porque ela é um reflexo da ciência básica.

Abraços,

Daniel

September 27, 2012 | Unregistered CommenterDaniel

O texto é bastante elucidativo. Mas só pra retificar algumas informações: as universidades federais, por exemplo, também oferecem cargos para pesquisadores. São cargos "técnico-administrativos" de nível superior, como Biólogo, Farmacêutico, Biomédico, dentre outros, nos quais os profissionais ingressam em laboratórios de pesquisa, mas não nas salas de aula.
Se esses profissionais não estão trabalhando na pesquisa, aí é um problema instituticional ou de gestão de pessoal, porque as atribuições deles contemplam a pesquisa acadêmica. Ou seja, é isso que as universidades esperam ao contratá-los.

September 27, 2012 | Unregistered CommenterMarcelo

texto fantástico, verdadeiro. Embora tenha me deixado bem depressivo em relação ao mestrado...

September 27, 2012 | Unregistered Commenterfabricio

Perfeito! Esse texto deveria ser incluído na matéria "Metodologia Científica", em todos as graduações! Eu concordo plenamente e, felizmente, sempre pensei assim e não caí nesta "furada"! Mas muitos são iludidos e tomam a decisão de ingressar neste mundo de pesquisa por inocência, por conveniência ou falta de outras oportunidades imediatas! Assim como você falou bem, devem existir cientistas sim, mas conscientes desta dura realidade e certos da decisão que tomaram; para que lá na frente não se arrependam por pura falta de informação e olhar crítico!

September 27, 2012 | Unregistered CommenterFlávia

Primeiramente existem várias informações erradas no texto, como , por ex, que um pos-doc nao pode pedir verba, entre outras, mas enfim...

Concordo que a carreira de cientista deveria ser mais valorizada financeiramente, mas dentro da média brasileira, está muito alem da realidade.

Alem disso vai muito do que cada pessoa pensa sobre oue quer para sua vida. Obviamente um administrador, economistas e afins, ganham rios de dinheiro com 30 anos de idade. Mas ganham para fazer o que? Servir a um mercado que não existe, gerar lucro e cada vez masi desigualdade social para ganahr seus 30 mil por mes e viver 24h pensando em como ganhar mais e mais dinheiro e enganar mais e mais pessoas? isso é ser reconhecido? Ser feliz? Um BOM cientista, tem a oportunidade em suas maos de descobrir coisas importantes que mude o destino de uma humanidade inteira. Stephen Hawking é prefessor emerito e tem o mesmo padrão de vida que um cientista brasileiro tem. Em que lugar um cara nas condições de saude dele estaria ativo e trabalhando, e, alem disso, sendo extremamente respeitado? Albert Einstein, Niestche, Carl Sagan, Dobzansky, entre outros tantos morreram pobres, mas mudaram o destino da humanidade, serão lembrados para sempre. E os jovenszinhos playboys dos 30 mil por mes, serão lembrados por quantos? por quanto tempo?

September 27, 2012 | Unregistered CommenterDouglas

Excelente texto Suzana. Podem estar faltando alguns detalhes técnicos, mas toca em um ponto que eu sempre pensei: pesquisador não é visto como um "profissional" propriamente dito. Gerar conhecimento é visto como um "ato de amor" ou "sacrifício", sendo que, na verdade, isso é uma visão completamente romantizada e retrógrada de fazer ciência, na minha opinião. Sinceramente, se em outros lugares é melhor ou pior, isso não interessa muito. O que interessa é que tenhamos condições de trabalho, para podermos produzir e sermos capazes de continuar desenvolvendo ciência no país. Afinal, acho que as contas de celular, água, luz, telefone, aluguel, internet e etc. não sofrem abatimento quando seus cobradores sabem que você ganha mal, mas que você pretende salvar a humanidade com o seu trabalho (e acreditem ou não, o peso delas virá mais cedo ou mais tarde). Enquanto ainda continuarmos pensando na ciência como sendo pura e simplesmente um ato altruísta, não vamos evoluir e continuarão pensando que nós não fazemos mais que nossa obrigação.

September 27, 2012 | Unregistered CommenterNatasha

Bem, isto considerando a comparação com uma ínfima parcela dos profissionais liberais que ganham salários altos. A maioria, mesmo que bastante competente, leva algum tempo para ganhar reconhecimento e remuneração elevada. É claro que os salários e planos de carreira oferecidos aos pesquisadores são injustos. Mas também é verdade que é bem fácil olhar apenas para a "metade vazia do copo" e julgar-se sem sorte.

September 27, 2012 | Unregistered CommenterLívia Nogueira

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