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Oct152012

Você quer mesmo ser cientista? Parte 2: uma proposta prática

Escrevi anteriormente aqui sobre o problema da "carreira" de cientista no Brasil, quase inexistente porque postos de "pesquisador" são raros (aliás, pequena curiosidade: tentem preencher um formulário online com a profissão "cientista". Em geral ela não existe!). O resumo da situação, em minha opinião, é que o trabalho de um pesquisador não é considerado trabalho enquanto ele não for contratado como... professor universitário, em geral, o que dificilmente acontece antes de uns 10 anos de formado.

Pensei um bocado sobre o assunto, e eis aqui minha proposta para uma reforma prática, imediatamente implementável se o governo assim quiser - e, mais importante, SEM tocar na estrutura dos empregos públicos já existentes (fazer isso seria pisar em calos demais, o que poderia inviabilizar a implementação da nova estrutura, e de qualquer forma não é essa minha bandeira aqui).

A constatação de origem é a seguinte: é o trabalho de estagiários de iniciação científica, mestrandos, doutorandos e pós-docs que de fato move a ciência. Quem acha que não é, por favor dê uma olhada no currículo de nossos cientistas mais produtivos em termos de publicações - Wanderley de Souza e Iván Izquierdo, por exemplo, só para citar os dois que primeiro me vêm à cabeça -, e veja quantos de seus artigos recentes (sem ser artigos de revisão da literatura) são publicados apenas por eles, sem vários "bolsistas" como primeiros autores ou co-autores. Pois é. Na prática, no Brasil e no mundo, quem faz a ciência, quem está na bancada gerando dados, é o "bolsista" que está supostamente "estudando", e não trabalhando.

Mas trabalho é o que isso é, e minha bandeira é que ele deve ser reconhecido como tal. O empecilho para isso é que as instituições públicas, onde se faz a melhor ciência no Brasil, só contratam por concursos, e com aquela faca de dois gumes que é o emprego garantido (mais sobre isso adiante). Fundações, contudo, têm autonomia para contratar e demitir; podem receber fundos tanto públicos quanto privados para pagar seus funcionários; e estão livres da necessidade de lucro que atrapalha a pesquisa básica.

Eis a primeira parte da minha proposta, então: que as instituições públicas onde se faz ciência criem Fundações, com gestão LOCAL, ágil, para contratar seus pesquisadores - e que esses pesquisadores, contratados e assim reconhecidos como trabalhadores que de fato são, sejam os hoje "bolsistas" de iniciação científica, mestrado, doutorado e pós-doutorado. Assim o cargo de "cientista" passa a existir de fato, em seus vários níveis de progressão na carreira, reconhecendo e recompensando o mérito e a produtividade de cada um: estagiário (atual bolsista de iniciação científica), assistente de pesquisa (atual recém-formado), pesquisador assistente, pesquisador júnior, pesquisador associado, pesquisador pleno, pesquisador sênior, diretor de pesquisa (chefe de laboratório).

De onde viria o dinheiro? De onde já vem: MCT, CNPq, FAPs estaduais - e, agora que são instituições "privadas", quem sabe até de fontes privadas, como em tantos outros países. Para deixar bem claro: proponho ACABAR COM TODAS AS BOLSAS NO PAÍS, e usar esses fundos para contratar os jovens como trabalhadores que são, com todos seus direitos e deveres trabalhistas. Quantos pesquisadores cada laboratório poderia contratar dependeria de produtividade e captação de recursos para seus projetos, com possibilidade de avaliação e reavaliação constante.

Contratados como trabalhadores, valeria assim a meritocracia e a agilidade que são a norma em qualquer empresa: quem faz um bom trabalho permanece; quem não está de fato produzindo corre o risco de ser demitido. Claro, com comissões de avaliação para garantir que ninguém seja demitido por mera picuinha ou por não fazer parte das panelas da vez. Proponho ainda que os cargos dos pesquisadores sênior e diretores de pesquisa, responsáveis pela continuidade dos projetos em andamento, tenham duração assegurada de cinco anos, renováveis indefinidamente, durante os quais o pesquisador, como o professor universitário, não precisará se preocupar com seu emprego.

O que fazer com a pós-graduação? Proponho que ela seja valorizada como algo realmente reservado àqueles jovens pesquisadores que demonstrarem capacidade de inovação e liderança, ao invés de ser usada como a boia de salvação atualmente necessária para quem quer seguir carreira na ciência, na falta de empregos de verdade como pesquisador. Cursos de atualização e formação continuada seriam oferecidos continuamente para pesquisadores contratados de TODOS os níveis, sem custo (mas também sem "bolsa" adicional), pois são fundamentais para todos (e não, na minha opinião, um "investimento opcional"). Mas, no esquema de cargos proposto acima, o pesquisador que demonstrar essas capacidades de pensamento original e independente ganharia acesso ao doutorado (chega de mestrado!), como qualificação adicional para um dia vir a ser líder de seu próprio grupo, no cargo de diretor de pesquisa (chefe de laboratório, na prática). Sendo um processo rigoroso de qualificação (também sem "bolsa" adicional!), onde originalidade e relevância são exigidos de fato, o doutorado prepararia o pesquisador para passar ao cargo de pesquisador pleno, sênior, e eventualmente diretor de pesquisa.

Como implantar esse esquema na estrutura atual de professores universitários? Proponho que seja oferecida a alternativa de acúmulo de cargo de professor universitário (sem dedicação exclusiva, claro) e diretor de pesquisa (para que já é chefe de laboratório) ou pesquisador pleno ou sênior (para quem já é professor com doutorado) para quem já é concursado (e deixo claro desde já que eu abraçaria a opção), mas claro que quem já é funcionário público não seria jamais obrigado a deixar seu cargo. O importante aqui é criar a possibilidade de contratação com perspectiva de carreira, e mudar como a ciência é feita daqui para a frente.

Notem que uma das consequências dessa proposta é que ser professor universitário pode passar a ser reservado a quem realmente SABE e QUER ensinar, ao invés de ser o "preço" a pagar para poder fazer pesquisa por aqueles que não curtem ensinar. Não é vergonha alguma não querer dar aula, assim como não é vergonha não querer fazer pesquisa; portanto, nada melhor do que as duas atividades serem dissociáveis.

A outra consequência desta proposta é a MOBILIDADE e AGILIDADE para contratação por Fundações locais associadas às Universidades (ou, melhor ainda, aos Institutos). Precisamos disso para atrair cientistas de outras cidades, estados, e países. Precisamos disso para ajudar a escolher outro caminho (eufemismo para "demitir", isso mesmo) aqueles que não se encontram na carreira de cientista ou professor, mas continuam nas universidades porque são, bem, funcionários públicos indemissíveis. 

Minha irmã, economista, observa há anos, ao me ouvir descrever o funcionamento de laboratórios, universidades e instituições de pesquisa públicas, que o que falta à pesquisa é ser gerenciada como qualquer empresa. Quer saber? Acho que ela está com toda a razão. Um pouco de estabilidade, em geral não assegurada nas empresas, é necessária - mas ela não precisa ser eterna, e pode vir em pacotes de uns 5 anos de cada vez. E meritocracia é fundamental. Mas, sobretudo, ter seu trabalho reconhecido como "trabalho" é o que está faltando aos pesquisadores.

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Reader Comments (55)

Suzana, Parabéns! Super me identifiquei com seu post. Sou aluna de mestrado e cada dia fico indignada por ver que a maioria dos graduandos utilizam a pós graduação como válvula de escape para o desemprego. Alegro-me de ver que não sou a única a ver enormes incongruências em nosso sistema que acaba por sintetizar uma ciência "vazia".
Abraços.

October 15, 2012 | Unregistered CommenterBianca Santos

Parabéns, excelente complemento. Para mim, o ponto principal a ser mudado é dissociar a carreira de docente da carreira de cientista. Raramente vejo colegas com talento para as duas coisas ao mesmo tempo. Acho o sistema inglês o melhor em muitos quesitos, com seus variados cargos, incluindo temporários, ilimitados e estáveis. Além disso, concordo plenamente em extinguir o mestrado e reservar o doutorado só para quem tem talento e mostra empenho. Seriam menos doutorandos no sistema, porém mais bem selecionados e ganhando mais. Justo para os aspirantes a cientista, que não seriam iludidos e teriam melhores chances de se estabelecer, e justo para o dinheiro público, que não seria tão desperdiçado como é hoje.

October 15, 2012 | Unregistered CommenterMarco Mello

Concordo com a proposta da meritocracia para valorizar e avaliar produção científica. Contudo, em um país com intenções socialistas como o nosso, isso nunca vai vingar. Quando uma pessoa ganha um salário maior que a outra e possui a mesma formação, a isonomia dita que todos devem ganhar o mesmo salário no ãmbito público. Esse é o engodo que temos ainda no serviço público. É um problema cultural e que não enxergo perspectivas de alterações...

October 16, 2012 | Unregistered CommenterCarlos Raphael Rocha

Excelente proposta que pode levar o país ao profissionalismo em termos de ciência. Podemos sair da infantilidade das bolsas, que parecem mesadas, para um profissionalismo adulto e com profissão de cientista reconhecida. Estou torcendo para que o governo leve a proposta em consideração.

October 16, 2012 | Unregistered Commenterprofessor

E o aumento de custos com INSS, 13o., Férias?

October 16, 2012 | Unregistered CommenterAdolfo Neto

A idéia é fantástica, nem todo professor quer ser pesquisador e vice-versa. O "aluno" sendo contratado como pesquisador com certeza vai gerar aumento de auto-estima e produção. Hoje em dia a bolsa tem valor simbólico de mesada para salvar a mais conhecido com eterno estudante pela população brasileira. Imagine só o efeito que teria na população das pessoas começarem a se auto denominar "cientista" e "pesquisador" !

Na minha opinião o ideal seria um sistema em que os professores de outros estados e países pudessem ser contratados por esse periodo de 5 anos em todas as instituições. Isso geraria um catalise de idéias, item mais do que necessário para a ciência. Por fim, precisamos profissionalizar nossa ciência se quisermos competir com outros países

Obrigado pelo texto, está muito bem redigido

October 17, 2012 | Unregistered CommenterScience guy

Acredito que este texto poderia ser escrito em forma de uma carta, com currículo resumido em baixo ( da autora), e ser encaminhado a alguns deputados para fomentar a discussão.

October 21, 2012 | Unregistered CommenterBruno

Excelente!

Vamos fazer disso uma proposta e entregar ao MEC e onde for necessário.

October 22, 2012 | Unregistered CommenterRENATO MORAES

Nossa! Quase chorei por conta da identificação! É EXATAMENTE isso! Obrigada por ser capaz de organizar esse pensamento e divulga-lo. Vamos tentar fazer isso chegar aos gestores. PRECISAMOS disso!

Hoje, minha paixão pela ciência tem sido paulatinamente esmagada pelo desejo de ser adulta...

October 29, 2012 | Unregistered CommenterNatalia Benaim

Eu concordo com tudo, Suzana! Essa é a solução para a pós-graduação deixar de ser alternativa ao desemprego e a ciência ser reconhecida no país (e no mundo) como "coisa de gente grande".

October 29, 2012 | Unregistered CommenterCarina

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