Hoje

Aulas, aulas e mais aulas...

Posts recentes
« O lado bom do cocô | Main | Engane-me se puder! »
Sunday
Jul182010

Não existe palmada bem dada

Ah, que coisa boa ver projetos sensatos, coerentes e inteligentes de legislação. Concordo que pais que dão uma palmada em seus filhos não devam ir presos, mas já era hora de a sociedade parar de achar normal crianças levarem palmadas, beliscões e puxões de orelha. Como esperar ter uma sociedade de adultos que repudiam a violência quando eles crescem aprendendo que palmadas são uma punição "necessária" e ouvindo seus pais e pares dizendo que "batem para educar"? A neurociência já aprendeu que violência muda o cérebro e gera mais violência (ou impotência, meio caminho andado para a depressão). E como fica o amor de um filho por seus pais agressores? Misturado com medo?

Para meus filhos, certamente não: deles quero apenas afeto e admiração, sem jamais uma mácula de medo no olhar. Medo deveria ser a última coisa que uma criança precisasse sentir dos pais. E antes que proteste o leitor que acha necessário aplicar palmadas para educar e ironize perguntando, provocador, se de fato jamais bati em meus filhos: não, jamais. Aqui em casa se conversa. Quem sabe falar não precisa bater.

EmailEmail Article to Friend

Reader Comments (25)

Bom... A questão é a seguinte: para quem consegue educar de forma adequada sem utilizar de artifícios como a palmadinha, eu sou totalmente contra o método. Mas o que eu vejo hoje é uma geração de adolescente e crianças que não respeitam aos pais e nem aos professores na escola, porque eles não conseguem mais impor a autoridade que deveriam impor. Querendo ou não, as crianças têm que aprender o que é certo e o que é errado e têm que respeitar e obedecer aos mais velhos. Se uma boa conversa for o suficiente, argumento aceito. Mas até então, eu não tenho visto isso funcionar com muita freqüência por aí (é claro que existem excessões).
Agora, é preciso diferenciar espancamento de palmada, porque prender pais que dão uma palmada nos filhos vai ser uma grande solução: prendem os pais e mandam os filhos para um abrigo de menores, que, com certeza, é melhor do que sua casa, onde levou uma palmada.

Eu levei algumas palmadas quando criança e não sou traumatizada, não sou violenta e nunca achei que resolveria meus problemas partindo para este método. Talvez, até para dar palmada, os pais precisem ser conscientes. O que me preocupa hoje é ver essa possibilidade de termos uma geração de delinqüentes e, em pouco tempo, muita gente arrependida destas campanhas contra as palmadas.

July 18, 2010 | Unregistered CommenterAnezka

Concordo plenamente.

Mas o que se vê é que a maioria das pessoas não sabem falar, não sabem se comunicar, não saber passar adiante o que pensam e, portanto, não sabem educar.

Como convercer um pessoa que não sabe se expressar que conversar é mais interessante que bater?

July 18, 2010 | Unregistered CommenterClara

Oi Anezka, ninguém está falando de prender pais que deram "uma palmadinha" nos filhos. O objetivo da legislação é antes de mais nada educacional: a proposta é uma mudança de maneira de pensar. Quanto aos pais que não sabem "impor sua autoridade" sem recorrer a palmadas, eu diria que o problema é provavelmente que eles já não têm autoridade alguma, e nesse caso a palmada é simplesmente um recurso ao terror para impor algo que não existe. O problema anterior, que é o respeito, a admiração ou a falta deles, não fica resolvido; pelo contrário, o que se gera é uma pessoa que aprende que precisa aprender a burlar essa autoridade-sem-autoridade imposta pelo medo. Em suma: não vejo como palmadas ajudem a impor respeito e autoridade...

A idéia é válida. Eu tomei muitas palmadas quando criança que me fizeram muito bem (depois de uns anos fui ter esta idéia), e por isso agradeço a minha mãe. As palmadas não vieram sozinhas, existiam conversas também. De fato, conversar é uma alternativa apenas para quem sabe ouvir, coisa que nunca fui bom.

July 18, 2010 | Unregistered CommenterMagno

Sei não, creio que esse debate tem sido levado de uma forma muito rasteira: apanhou quando criança = será violento quando adulto, e assim por diante.

Nessa linha, existem muitas pesquisas apontando ligação entre violência assistida/sofrida e violência feita. Mas esquece-se muito de notar que muitas dessas pesquisas apontam determinações onde há CERTAS correlações, isto é, comete-se verdadeiras aberrações metodológicas por aí. Por exemplo: violência implica violência? Claro que sim. Mas se eu sofri violência, serei violento? Dizer "sim" é uma conclusão totalmente inadequada.

É como dizer que a única punição com viés negativo é a violência corporal. Ora, existem vários outros métodos muito mais insidiosos que utilizam violência não corporal.

Creio que nesse debate o alvo não deveria ser o modo de punição, mas a punição propriamente dita. O Brasil tem uma tradição de abuso e violência? Claro que sim. E por outro lado, o Brasil tem implementado certas leis um tanto quanto controversas, passando do horizonte de uma opressão total para o horizonte de uma permissividade total? Com certeza. Pois nesse debate rasteiro estamos deixando passar por baixo do tapete muita punição travestida, muita agressividade contida, e um certo sadismo moral que os mais defensores adoram preservar inconfessos.

July 18, 2010 | Unregistered CommenterCatatau

Pois é, também já levei umas palmadas quando criança e não vejo nada demais nisso. Adoro meus pais e, com certeza, não sou uma pessoa agressiva. Concordo com o que disseram aí em cima: dar palmada não é espancar.

Afinal, fica a pergunta: a palmada não tem o mesmo efeito do que a criança botar a mão no fogo e se queimar? Isto é, se ela aprende que se queima quando põe a mão no fogo, ela aprender que fez algo errado quando toma palmada. Não?

July 18, 2010 | Unregistered CommenterTiago

Nossa... Quantos apóstolos de Skinner...

Creio que a educação deve ser pautada no diálogo crítico e argumentativo. Obviamente não estou sugerindo que os pais usem dialética com criança de 2 anos... Entretanto, há meios mais humanos de se punir como retirar um brinquedo favorito ou impedir que assistam aos seus desenhos preferidos.

*Doutora Suzana, é verdade que existem pesquisas relacionando agressões físicas com o baixo desempenho em testes de Q.I por parte das crianças agredidas?

Abraço!

July 19, 2010 | Unregistered CommenterFelipe Barros

Particurlamente acho que quando os pais partem para agressão, já perderam a razão,pois sendo dessa forma; precisam impor violentamente sua ''autoridade''. E ainda acrescentando; crianças aprendem mais com exemplos do que com sermões, ou seja, o indivíduo em formação aprenderá que para impor sua autoridade ele precisa usar da violência; e o fará em qualquer ocasião.

July 19, 2010 | Unregistered Commenterglaucia

Suzana eu estava lendo uma materia o qual voce diz : "Acho que, por causa dessa imaturidade, tinha muita dificuldade para lidar, na escola, com os conceitos abstratos de história e geografia, mas me dava bem em ciências e matemática".

historia e geografia nao é abstrato e sim pura decoreba,matematica isso sim é muito abstrato .

Vc nao ia bem em historia e em geografia pq vc nao gostava ou vc realmente tinha dificuldade?

Como vc soube q queria fazer biologia ? eu to pensando em fazer biologia mais eu nao teria coragem de pegar sapo , caramujo pois tenho muito nojo .Gostaria mais na area de genética . Vc acha q eu devo fazer esse curso sim ou não?

Obs: Ahh... to fugindo da matematica pq nao me dou muito bem na area de exatas ! :)

July 19, 2010 | Unregistered CommenterLais C.

Existem requerimentos mínimos para ser médico, para ser advogado, para ser psicólogo, até mesmo para ter um diploma de ensino fundamental. Mas as pessoas parecem ignorar que existem requerimentos mínimos para ser pai ou mãe.
Se a pessoa não é capaz nem de se expressar, de dialogar com uma criança, como vai querer ser pai ou mãe?
Os indivíduos que quiserem ser pais devem, pelo menos, ser capazes de prover a criança de segurança, saúde, educação, lazer e cidadania.
Crianças não escolhem nascer, mas adultos tem a possibilidade de escolher utilizar métodos contra-conceptivos.
Uma vez que decidiram botar uma criança no mundo, é sua obrigação prover a criança daquilo que é necessário para que ela se torne um adulto cidadão e com potencial de realização e felicidade.
Quanto a palmada, a agressão física - e é exatamente isso que a palmada é, apenas ensina a criança a agir de forma agressiva, com violência.

July 20, 2010 | Unregistered CommenterObservador

PostPost a New Comment

Enter your information below to add a new comment.

My response is on my own website »
Author Email (optional):
Author URL (optional):
Post:
 
Some HTML allowed: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <code> <em> <i> <strike> <strong>