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Dec132010

Walk left, look right

Para que lado você olha antes de atravessar a rua? Se você ouvia a sua mãe, olha para os dois, claro. Mas, na prática, nas ruas do Brasil você provavelmente só olha para a esquerda - hábito perigoso para uma brasileira morando temporariamente em Sydney!

A Austrália é mais um daqueles países (como a ïndia e a África do Sul) onde, por resquício dos ingleses que andaram por aqui, dirige-se do outro lado da rua, à esquerda. Claro que, entre nós, dizemos que eles estão "do lado errado" - mas isso é puro preconceito, no sentido puro da palavra: um pré-conceito, concebido por nosso cérebro simplesmente por força do hábito, este por sua vez fruto da experiência (no caso, de dirigir à direita).

Até onde eu sei, não existe um lado certo ou errado da rua para dirigir, mesmo considerando que cerca de 90% das pessoas são destras (embora em todos os carros o pedal do acelerador seja acionado pelo pé direito; se isso é preguiça de design ou resultado de alguma reclamação nos tempos idos dos primeiros carros ingleses, não sei). Estatísticas de acidentes seriam inevitavelmente enviesadas, contaminadas por outros fatores como adesão às normas de tráfego e segurança.

A parte interessante é notar quão automático é andar na rua em nosso próprio país. É somente ao se chegar a um país desses "ao contrário" que nos damos conta do comportamento que, à força de andar em nossas ruas, exibimos sem pensar ao nos prepararmos para atravessar a rua: olhamos para a... esquerda. Para alívio dos turistas e pelo bem das estatísticas, o departamento de trânsito inglês pinta LOOK RIGHT em letras garrafais em todos os cruzamentos de pedestres em Londres. Mas, aqui em Sydney, lembrar de olhar à direita antes de atravessar a rua fica por conta exclusiva dos seus neurônios, mesmo.

A consequência inesperada é que, pelos corredores daqui do Instituto, nos shoppings, ruas e sobretudo escadas rolantes, a "mão" para os pedestres também é à esquerda. De olhar à direita para atravessar eu já consigo lembrar; de ficar à esquerda na escada rolante, ainda não...

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Reader Comments (8)

Muito interessante... Há uma semana quase fui atropelada por, justamente, cometer o erro de olhar para a esquerda ao invés de olhar para a direita - de onde vinha o automóvel.

December 14, 2010 | Unregistered CommenterNandara Lima

Aqui na ciclovia na orla do Rio, a tradição é não olhar nem para direita nem para a esquerda; eu já quase atropelei o Chico Buarque por causa disso. Os turistas alias demonstram uma grande sensibilidade cultural neste aspecto, atravessando a pista a esmo, aparentemente em transe.

December 15, 2010 | Unregistered CommenterBruno

Certa vez, ao assistir a um jogo de futebol pela primeira vez em um estádio aqui em Brasília, experimentei um condicionamento semelhante ao que você relatou: depois de um gol, fiquei esperando o replay, como se eu estivesse assistindo ao jogo na televisão. Mas diferentemente da experiência que você teve, esperar o replay não constituiu um perigo, como atravessar uma rua depois de olhar pra esquerda e não ver carro algum...

December 19, 2010 | Unregistered CommenterPaloma

Por precaução é melhor olhar para os dois lados!

December 21, 2010 | Unregistered Commenterbiorad

Tem algum artigo científico falando sobre isso, Suzana? É muito interessante saber sobre isso... obrigado.

December 30, 2010 | Unregistered CommenterWesley

"De olhar à esquerda para atravessar eu já consigo lembrar; de ficar à esquerda na escada rolante, ainda não..."

Cuidado aí no trânsito, você precisa se esforçar para lembrar de olhar à direita.

:-)

January 1, 2011 | Unregistered CommenterClaudio

Pois eh, depois que vim pra Inglaterra sempre olho para os dois lados, nāo consegui me acostumar a olhar pro lado "errado".

January 2, 2011 | Unregistered CommenterMarcelo

Boa noite Doutora.
Desde 1981, palestro com temas voltados aos conflitos da adolescência. Percebi, mesmo sem um ebasamento científico, que a adoslesência é uma viagem de sempre, isto é, seja a 200 anos atrás ou a daqui a 200 anos o adolesceste não muda e o que muda são as coisas em volta dele, socialmente, culturalmete, violentamente...etcmente...rsrsr. Você, com suas pesquisas e reveladas no livro "Célebro em transformação" confirmou um discurso de decadas em minhas palestras. Divulvo a Senhora em cada palestra que realizo, e não são poucas, e indico seu livro com "Autoconecimento" a todos os adolescentes e adultos. PARABÉNS DOUTORA....JÁ TE AMO MUITO E MUITO OBRIGADO POR ESTUDAR TANTO.

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