Os Amantes, grande equívoco psiquiátrico
O trailler parecia interessante, ainda que confuso: ora Joaquin Phoenix estava com a Gwyneth Paltrow, ora com uma morena parecida com a Hillary Swank (que agora eu sei se chamar Vinessa-alguma-coisa - que mãe chama a filha de VInessa, por favor?). Então, quando o bonequinho aplaudiu de pé, e na falta de coisa melhor para ver, fomos ao cinema conferir.
Santo equívoco, Batman. Logo de cara descobre-se que o personagem de Joaquin Phoenix, que abre o filme tentando o suicídio, "é bipolar". Entre aspas, mesmo - porque os roteiristas acharam que isso justificaria suas tentativas de suicídio (e precisa justificar??), mas Phoenix decide que isso significa que seu personagem é retardado, e passa o resto do filme se portando (e falando) feito um imbecil incapacitado. Depois, Gwyneth Paltrow, sua vizinha fugindo do pai maluco (mas ela é meio sonsa, então sabe-se lá se o homem gritando era de fato seu pai), visita Phoenix e, vendo a biblioteca dos pais deste, lhe diz que não lê muito porque não consegue ler livros até o fim, "já que sofre de déficit de atenção e hiperatividade". Assim, na lata.
Enfiaram psiquiatria no roteiro. E a informação serve para alguma coisa no filme, pergunto? Não, absolutamente nada. Apenas descobre-se que o homem "bipolar" mais parece um retardado (e burro, canalha, cretino, ou o que você quiser, por ficar dando corda pra uma moça enquanto quer a outra que não o quer), e que a moça "com DDA" é uma idiota que usa o interesse do retardado para bem servi-la. Coitadinha da VInessa, que fica contente com as sobras. E pobrezinho do espectador, enganado pelo bonequinho aplaudindo de pé, que sai do cinema com 20 reais e duas horas de vida a menos...
Suzana Herculano-Houzel
Em tempo: NÃO é um filme sobre transtornos psiquiátricos. Tampouco é um filme sobre um homem tentando decidir "se quer ficar com a paixão ou com o amor", como dizem algumas críticas. É apenas um filme RUIM sobre um cara (que, aliás, não devia soar retardado no roteiro; nas últimas cenas, Phoenix fala com voz de gente normal) que sabe muito bem que sua prioridade é a mocinha que gosta de outro, e usa a que gosta dele como cobertor de segurança. Aaaaah que perda de tempo!!!
Monday, September 7, 2009 at 07:34AM |
Suzana Herculano-Houzel | tagged
Mídia
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Reader Comments (11)
Nossa Suzana, vc odiou mesmo esse filme, hein!!!!
Em tempo: Vc vai estar na bienal? Se sim, que dia(s)?
Acho que o filme deveria ter uma cena num consultório explicando por uns 10 minutos cada um desses transtornos. Afinal, pra que serve o cinema se não pra reprisar o Telecurso 2000, ou exibir um capítulo estendido da novela das 20h? Outro problema: o filme se resolve nos olhares, nas sutilezas. Pena que nenhum roteirista global se envolveu pra escrever o texto deste filme, porque daí ficaria mais fácil, com os personagens todos unidimensionais, cara de raiva pra expressar raiva, todo personagem falando palavra por palavra o que está sentindo, etc. Até porque quando o cérebro está condicionado pelas fórmulas das comédias românticas com a Sandra Bullock e das novelas por anos e mais anos, é difícil se desacostumar. Perda de tempo mesmo, de fato.
Gosto não se discute, e não tenho a menor intenção de atacar quem eventualmente gostar do filme. Mas se Murilo diz que o problema é que eu emburreci... é, devo ter tido o cérebro destruido pela Sandra Bullock, então (pelas novelas, infelizmente, não foi), porque Joaquin Phoenix estava sutil demais para os meus neurônios. Gwyneth Paltrow, explorando o idiota descaradamente, então, estava de uma sutileza só...
Gosto pode ser discutido sim. Você expõe porque não gosta, eu coloco os motivos que me fazem gostar e a gente vai trocando idéias. E vice-versa. Só é muito triste um pessoa aparentemente tão esclarecida quanto você escrever de maneira tão definitiva (caps lock!) a respeito de um filme, como se não houvesse margem para outras visões. Pois se você não tem a intenção de atacar diretamente quem gostou do filme, por outro lado, ao escrever desse jeito ("o filme NÃO é" etc.), você está desrespeitando sim quem não concorda com você. Ou então seria o caso de espalhar esse texto para que todo mundo possa, enfim, enxergar a verdade?
Vinícius,
Não espero que todos gostem do que eu gosto - e isso é o que significa "gosto não se discute". Não gostaria que todos gostassem do que eu gosto; seria um mundo sem graça, sem variedade, um mundo onde houvesse consenso geral sobre do que gostar e por quê. Posso expor minhas razões para gostar ou não de algo, como eu fiz neste post (e você não gostou, tudo bem!); e, já que este é o meu blog, posso expor o que *eu* achei sobre um filme - inclusive o fato de *eu* (e não você, embora este espaço de comentários, este sim, seja seu também, e você está exercendo seu direito aqui!) *achar* (e não "decretar", "decidir", "sentenciar" ou algo definitivo assim) que este NÃO é um filme sobre algo. É a *minha* opinião - e não estou dizendo que deva ser a de mais ninguém - ao contrário de você, que parte para o ataque. Que coisa feia... respeito infinitamente seu direito de adorar o filme. Mas não respeito nem um pouco o fato de você se achar no direito de me atacar por causa do meu gosto pessoal a respeito de um filme. E sim, esse texto pode ser espalhado para quem você quiser. Ele representa a *minha* *opinião* *pessoal* sobre o filme - e só isso. Se for útil a alguns, ótimo. Se divertir alguém, ótimo. Se outros discordarem, ótimo também - somos pessoas diferentes. Mas nada disso lhe dá o direito de me atacar pessoalmente por ter uma opinião diferente da sua. A única pessoa que fica mal nisso tudo é você... se você espera que eu respeite a sua opinião, comece respeitando a minha.
Bem, eu não tinho a menor intenção de te atacar. Se o tom da minha resposta anterior pareceu agressivo, então te peço desculpas. Não era o meu objetivo.
Oi Vinícius,
seus dois comentários soaram muito agressivos, sim. Mas se você diz que esse não era o seu objetivo e pede desculpas, eu fico contente, obrigada. Agora me conta: você gostou tanto assim desse filme?
Mas eu só tinha deixado um comentário. O da Sandra Bullock foi de autoria de outra pessoa, um tal de Murilo. Esse sim, megadeselegante, chamando de burra, etc. Mas ok, o que é verdadeiramente meu também incomodou e me desculpei. Sigamos em frente.
Gostei muito. Em poucas palavras, o que eu adoro nele é o fato do Gray não julgar seus personagens. Tanto quanto a maneira com que ele subverte, no fim, a idéia do Felizes Para Sempre. E ao mesmo tempo em que mostra um canalha egoísta tomando a atitude mais altruísta possível. Juro que, pra mim, é lindo.
Tem razão, eu confundi com o nome do primeiro post, desculpe. É, concordo com você que ele vai simplesmente contando a história. Mas não concordo sobre a atitude do personagem ser altruísta; ele tenta o que queria e, como não consegue, passa para a segunda opção, que é a que resta - senão, que mais ele faria da vida? Só para constar: essa foi a parte do filme que eu mais gostei... Acho que o que mais me incomodou foi o Phoenix, em todo o resto do filme, transformar o personagem num cara meio retardado. Ele podia ter seus problemas sem parecer tão retardado, acho que o Phoenix errou a mão...
Quando ele vai até a praia, logo depois da notícia de que o Ronald abandonou a famíllia, é com a intenção de suicídio. Ele havia pedido a Michelle que o deixasse amá-la, com a esperança de que um dia ela acabaria se apaixonando de volta. É uma atitude egoísta e até mesmo muito oportunista, porque ele faz a manobra num momento de extrema vulnerabilidade da moça. De todo modo, é dali em diante que ele aparece feliz pela primeira vez em todo o filme, como se a oportunidade de amá-la definisse a sua existência. Só que a ruptura causada pela notícia minutos antes da fuga o faz retornar ao estado inicial (ponte, no começo do filme). É nesse momento que algo muda completamente o final da estória: ele percebe que pode oferecer a Sandra tudo aquilo que Michelle poderia ter dado pra ele (é a mesma situação, só que ao contrário!).
Entendeu o meu porquê do altruísmo? Não que esteja correto, mas eu acredito fortemente nisso. E acho muito bonito, de verdade. Lindo mesmo.
E pra você ver como são as coisas: eu gostei muito do Phoenix. Embora Isabella Roselini, que interpreta a mãe, talvez seja a dona da minha atuação favorita.