Cadê os livros??
Fomos ontem visitar a mostra Morar Mais por Menos, que se propunha como uma alternativa pés-no-chão às soluções de design de interiores para ricaços da Casa Cor. Bacaninha, sobretudo nas soluções para espaços pequenos. Meu marido ficou encantado com as gavetas correndo sobre trilhos; eu, com os closets e cozinhas quadradas, meus sonhos de consumo.
Mas saímos de lá dando falta de luminárias para leitura, uma das coisas que procurávamos. Por outro lado, por que os ambientes maneirinhos teriam luminárias para leitura, se não tinham livros? Sim, sim, havia uma biblioteca, inevitavelmente com livros (com uma estante de correr bacana, por sinal), e um dos estúdios tinha uma estante com livros decorativos sobre arte e cinema. Mas nas salas e nos quartos - neca. Nada. Nenhum. Os arquitetos pelo jeito acham que as pessoas não lêem. Aliás, uma arquiteta amiga nossa diz que as pessoas não lêem, mesmo: ela pergunta a seus clientes sobre o tamanho dos livros que ficarão nas estantes da sala, e diz que a resposta mais comum é "que livros?". Pena...
Suzana Herculano-Houzel
Ah, sim. Que diabos é aquele sofá de vime bem na entrada? O sofá, uma concha de vime com um estofado no meio, é de fato esteticamente atraente - mas o PIOR sofá do mundo. Eu realmente devia ter tirado uma foto do meu marido tentando achar uma posição confortável reclinado naquilo - porque é impossível, para quem tem menos de 2 m de altura, sentar no estofado, o que dirá recostar nas almofadas (para chegar nelas, meu marido ficou com os pés espetados no ar, numa pose cuja estética batia de frente com a elegância à qual o sofá aspirava). Sequer sugerir que alguém use um sofá desses devia contar muitos pontos negativos na carteirinha do arquiteto!!!
Monday, September 7, 2009 at 08:01AM |
Suzana Herculano-Houzel | tagged
Do plantão da neurocientista
3 Comments |
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Reader Comments (3)
Eu gosto muito quando vejo pessoas leigas comentando sobre arquitetura. São um feed back fundamental porque falam com um olhar diferente do nosso. Não discordo em nada do que tu escreveu. Primeiro porque poucos clientes pedem espaços para livros. Muito poucos mesmo. E nós, como difusores de propostas e tendências, bem que podíamos propor mais bibliotecas, estantes, cadeiras para leitura. Afinal essas feiras são para isso mesmo: mostrar tendências, lançar materiais, vender novidades. E bem que podiam também lançar propostas de vida: leitura entre eles.
Me lembro que fui com um amigo numa dessas mostras. E ele me dizia a cada home theater: esse arquiteto não deve ver TV ! As posições são muito incomodas...
Abracos
Suzana,
com o preço que estão os terrenos e o m2 da construção, fica difícil mesmo pensar em espaço para livros.
Eu tenho muitos livros (mais que a média do brasileiro, acredito) mas tive que me desfazer de alguns deles por falta de espaço para guardá-los.
Alguns eu consegui doar para a biblioteca da minha universidade, outros foram para o sebo mesmo.
Nem mesmo as universidades têm espaço para receber doações. Quando alguum professor morre e a família quer doar a biblioteca pessoal daquele professor, fica difícil encontrar uma biblioteca que receba...
Puxa vida, eu sempre me perguntei onde ficavam os livros quando via os projetos de arquitetura em revistas e nessas mostras. De vez em quando aparecia uma ou outra prateleira com uns 3 ou 4 livrinhos e só. Sempre achei isso bizarro, como diria minha filha. Como na minha casa os livros ocupam mais e mais espaço, acabei achando que ter livros - e muitos, aliás - era comum. Nunca me ocorreu q isso fosse tão raro! Que triste!