Rá! Neurocientista 1 x 0 Grampeador
Estava eu aqui imprimindo furiosamente os artigos que preciso ler na impressora da sala ao lado, onde minha assistente (eu tenho uma assistente agora, Santa Walquíria!) ia grampeando-os - e eis que os grampos acabam.
Descubro isso porque logo chega Walquíria à minha sala perguntando como colocar mais grampos no grampeador. Hmm. Normalmente, abre-se a parte de cima do grampeador... ok, este tem um botão que empurra o suporte de grampos para frente. Certo. Mas onde entram os grampos? Havia uma trave no suporte dos grampos, que em qualquer outro grampeador deslizaria para trás, contra uma mola. Tentei deslizá-la. Não funcionou. Revirei o grampeador, sentindo-me uma perfeita macaca, inspecionando o grampeador de toda maneira, olhando por baixo, por cima, de lado, atrás de algo que fizesse a trave deslizar.
O grampeador passou então às minhas estagiárias, na sala ao lado, que também tentaram de todo jeito fazer a trave deslizar. Foi mais ou menos aí que eu comecei a ouvir os risos das duas, achando vexaminoso serem derrotadas por um grampeador, e fui lá participar da chacrinha. Uma conseguiu até quebrar a ponta de uma caneta - e nada. A trave permanecia incólume. Patético. Walquíria a essa altura já estava revirando a internet atras de um manual do grampeador.
E então, achando aquilo tudo igualmente divertido e vexaminoso de fato (afinal, havia uma PhD, uma mestra e uma quase-graduada na sala), e considerando que grampeadores TÊM que poder ser recarregados e aquele não podia ser exceção, pensei que quando empacamos em um problema que parece não ter solução mas obviamente tem, é preciso lembrar de usar flexibilidade cognitiva, a capacidade do nosso cérebro de mudar de estratégia. Falei para as meninas que devíamos estar olhando para o problema do modo errado. E então...
De repente era absurdamente óbvio: a trave não deslizava porque... não era para deslizar. Apostei com elas que os grampos entrariam POR CIMA da trave, e não por baixo ou pela frente dela. Não deu outra: nesse grampeador, os grampos ficam apoiados perfeitamente SOBRE a trave. Óbvio. Lógico. Por que demoramos tanto para ver isso? Porque estávamos esperando o que já conhecíamos de outros grampeadores. Tolinhas.
Manifestações generalizadas de "não acredito", risos enquanto nossos respectivos sistemas de recompensa registravam que pensar diferente resolve o problema - e protestos envergonhados quando eu, às gargalhadas, disse que ia correr para meu blog para registrar O Dia Em Que Quase Fomos Vencidas Por Um Grampeador. Mas prometi não revelar os nomes das Quase Derrotadas...
Wednesday, August 5, 2009 at 10:21AM |
Suzana Herculano-Houzel | tagged
Direto do laboratório,
Do plantão da neurocientista
5 Comments |
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Reader Comments (5)
Me pareceu mais um 1x1...
Ah, mas aos 43 minutos do segundo tempo a neurocientista levou a melhor - e mais ainda: nunca mais esse grampeador vai pensar em ganhar da gente! ;oP
Aposto 10 contra 1 que era um grampeador de "rosca esquerda"...
Talvez falte homem nesse laboratório......rsrsrsrs
Brincadeira. Parabéns pelo blog. Faltou apenas uma foto das meninas "atracadas" com o grampeador.. rssrrs
È...o grampeador deu trabalho pra vocês hein!?Todas vocês consultaram o hipocampo e acharam a solução dos outros grampeadores e depois se deram conta de que esse grampeador era outro..:)!acontece!!bom que vcs mudaram de estratégia...
Meu blog: www.neuroniosesinapses.blogspot.com
Reflexões e poemas que criei sobre a vida...abordo o sistema nervoso em alguns textos...:)!
beijos!