Única saída razoável: morrer negando!
Suellen, estagiária em meu site de divulgação científica, achou um estudo ótimo onde os pesquisadores filmaram voluntários participando de um jogo de perguntas e respostas, ganhando ou perdendo dinheiro, e depois... confrontavam os voluntários, acusando-os de roubar no jogo tirando dinheiro do "banco" ao invés de pagar quando erravam respostas. O que você faria nessa situação? Negaria, certo?
Errado. Parece que o cérebro duvida o suficiente de si mesmo para acatar uma acusação feita com categoria, sobretudo se a acusação estiver fundada em "evidências" - no caso, um vídeo adulterado para mostrar a pessoa inocente roubando.
O tolinho do cérebro parece preferir a evidência alheia a acreditar em si mesmo. Fico pensando que, nessas horas, a estratégia do meu falecido tio-avô, e de tantos outros, soa como a única saída razoável: morrer negando. Repita isso o suficiente, e a resposta se tornará automática, um hábito para mantê-lo a salvo das incertezas do seu próprio cérebro. Não sei de que estão me acusando, mas não fui eu!!!
Monday, August 31, 2009 at 03:01PM |
Suzana Herculano-Houzel | tagged
Do plantão da neurocientista
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Isso é um problema sério. Tenho como diretriz duvidar do meu próprio cérebro porque ele sofre a contaminação daquilo que desejo ver, ouvir, sentir, etc., ou seja, sei perfeitamente que o desejo cria ilusões. Assim estarei mais protegido de uma esquizofrenia se duvidar do mundo que meu cérebro percebe. Os sentidos do outro passam a ser minha referência. Entretanto, com as novas tecnologias, preciso agregar mais um fator nas minhas percepções: duvidar da minha dúvida; tudo é possível.
Parece que na política essa estratégia funciona bem!
Ahh isso não é novidade!! Aposto que os policiais desonestos já sabiam disso na hora de obter "confissões"...
NEGAR É PRECISO
Um certo amigo meu, cujo nome a decência e bons costumes me impede de declinar, viu-se em palpos de aranha quando foi flagrado pela sua esposa em companhia de jovem e bela senhorita. A jovem e bela agarrava-o pelo pescoço e enchia-o de beijos quando a jararaca, digo, a esposa surpreendeu-os.
Como não podia deixar de ser, e como não havia nada mais a fazer, meu amigo negou. Negou três vezes para a mulher. Negou três mil vezes, até. Quiça três milhões de vezes. Que não conhecia a dita cuja senhorita e que ela - estranha e alheia a ele, tão probo e inocente era! - o confundira com alguém semelhante fisicamente. E continuou negando. A bela e jovem saiu de fininho. E ele continuou negando.
De tanto negar, a esposa passou a duvidar de si própria.
E finalmente aceitou a explicação. E comentou "que coisa, né?"
O dia seguinte amanheceu e não se tocou mais no assunto.
E viveram felizes até o limite do suportável.
Negare humanum est.
HPVon Paulus I, o místico trovador