Memória, persistência e esquecimento
Que ele é uma gracinha eu já disse aqui. Agora posso dizer mais: eu e as meninas do Cérebro Nosso entrevistamos o Izquierdo! Ele, que é da PUC de Porto Alegre, esteve na UFRJ para uma palestra no evento de comemoração dos 40 anos do Instituto de Ciências Biomédicas, onde trabalhamos, e concordou graciosamente em nos ceder uma hora do seu tempo, após a palestra, para conversar conosco sobre ciência e memória. A entrevista estará disponível em breve no Cérebro Nosso (eu aviso aqui).
Fiquei contente porque ele gostou das nossas perguntas (impressas para que ele pudesse lê-las antes de começarmos a entrevista, um truque muito útil que aprendi dando entrevistas para a televisão). Também, aproveitei toda a minha experiência do outro lado do microfone para cortar da lista que preparamos as perguntas óbvias (aquelas que uma busca na internet respondem, como dados sobre currículo), as "questões de prova" (do tipo "o que é memória de trabalho e de quais estruturas ela depende?") e, horror dos horrores, as perguntas xemnoxaum (do tipo "como funciona a memória?" para um superespecialista que tem tantas outras coisas mais interessantes a dizer). Insisti com Luisa e Suellen para que nossas perguntas fossem 1) as que ninguém mais faria e 2) as que somente o Izquierdo poderia responder.
Acho que o resultado ficou bem legal. Izquierdo mostrou recentemente que existe uma fase da memória para além da tão badalada consolidação: é a persistência, que determina se você saberá daqui a dois dias dizer qual filme viu hoje. Segundo Izquierdo, a persistência declina com a idade a partir dos 40 anos. Mas não sei, não. Já tem uns anos que eu tenho que fazer força para lembrar do que vi dias atrás...
Izquierdo é um grande defensor do esquecimento, e na entrevista ele discorre um bocado a respeito da sua importância (imagine, por exemplo, se todo dia ao chegar ao estacionamento você se lembrasse de todas as vagas em que parou o carro ao longo de todo o mês?), do que determina se lembramos ou esquecemos de alguma coisa, de por que com a idade nós lembramos da infância mas não do que comemos ontem. Em breve, no Cérebro Nosso de Cada Dia. Não perca!
Monday, August 10, 2009 at 09:12PM |
Suzana Herculano-Houzel | tagged
Direto do laboratório,
Do plantão da neurocientista,
Mídia
4 Comments |
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Reader Comments (4)
A nossa memória é mesmo especial! E o izquierdo sabe muito bem disso!
Graças a Deus nossa memória é seletiva, assim deixamos no esquecimento as lembranças ruins de nossas vidas!
Visitem meu blog!
www.neuroniosesinapses.blogspot.com
Reflexões e poemas que eu criei sobre a vida!
Comentem!!até!!
Nossa, uma defesa do esquecimento! Interessante!!
Ainda bem que esquecemos viu...senão ia ser um caos total...se o cérebro lembrasse de tudo...a natureza é muito sábia...vamos apreciá-la!
Meu blog: www.neuroniosesinapses.blogspot.com
Reflexões e poemas que criei sobre a vida...abordo o sistema nervoso em alguns textos...:)!
beijos!
Ufa! É bom saber que a memoria faz do esquecimento um recurso de auto-sobrevivencia, um mecanismo de defesa, frente a um turbilhão de informações, fatos e acontecimentos nossos de cada dia.