Você sabe mais música do que pensa que sabe!
Isso eu tenho a felicidade de poder dizer que vi ao vivo: Bobby McFerrin no Theatro Municipal, aqui no Rio, um ou dois anos atrás, regendo a platéia com pulinhos para a esquerda ou para a direita no palco. Ele fez a mesma demonstração no World Science Forum, agora em junho de 2009, e você pode ver no vídeo abaixo como a plateia reage, cantando as notas que ele pede.
É muito impressionante: tudo o que ele de fato ensina são DUAS notas para o público. A partir dessas duas, usando a distância e posição dos pulinhos de McFerrin no palco, a plateia generaliza, infere e canta as notas que ele quer. O resultado funciona até como acompanhamento para um improviso de McFerrin. Veja até o final (garanto que você vai querer cantar junto com a plateia!), e você vai constatar o poder da generalização do seu cérebro - que conhece a escala pentatônica da música Ocidental muito melhor do que você pensa!
World Science Festival 2009: Bobby McFerrin Demonstrates the Power of the Pentatonic Scale from World Science Festival on Vimeo.
(tks de novo, André!)
Suzana Herculano-Houzel
Note como seu sistema de recompensa fica feliz quando você faz a primeira generalização e acerta - e como fica feliz de continuar acertando nas próximas!
É engraçado: no começo dá aflição pensar se o público vai conseguir cantar a nota que ele quer a tempo, conforme ele começa a pular para lá e para cá. Mas comece a cantar junto, e você notará que já sabe qual será a próxima nota só de ver McFerrin PREPARAR seu próximo pulo; e logo seu cérebro (o seu, leitor) estará antecipando inclusive a próxima nota na música! Viu? Você sabe mais sobre a escala pentatônica Ocidental do que pensava que sabia!
PS. Começando com dó, tem-se uma escala pentatônica com dó-ré-mi-sol-la-dó (ouça aqui), as notas que McFerrin pede ao público. Sons com esses intervalos são a base de muuuitas músicas populares, sobretudo do rock; de tanto ouvi-los, seu cérebro sabe que eles são os mais prováveis de acontecer em associação. Onde você já ouviu isso? Um exemplo é a introdução da música My Girl ("I've got sunshine on a cloudy day/when it's cold outside I've got the month of May...").
Friday, July 31, 2009 at 01:58PM |
Suzana Herculano-Houzel | tagged
Do plantão da neurocientista
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