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Jun042009

O que o café de fato faz II

Achei o cartaz divertido: "Drink coffee: do stupid things faster with more energy" (vide post anterior). Não sei se o Andrei também achou, ou ficou ofendido, preocupado ou zangado: é o problema da comunicação sem a melodia da fala, que dá o tom emocional do que a gente pensa. De qualquer forma, respondo abaixo aos comentários do Andrei, que podem ser de outras pessoas também:

"Drink coffee: do stupid things faster with more energy"

Isso significa que a senhora se posiciona contrariamente ao uso de drogas nootrópicas?
- Isso significa que, até onde eu sei, drogas nootrópicas podem melhorar ligeiramente a memória (como a nicotina e fisostigmina, receitada para quem sofre de Alzheimer) e aumentar a atenção de quem está cansado (como o café) ou sofre de problemas reais de atenção (como a ritalina), mas *não* deixam ninguém mais inteligente. Donde o "do stupid things faster with more energy".

A senhora acredita que elas não têm efeito benéfico algum?
- Para quem sofre momentaneamente de cansaço e precisa aumentar sua atenção, uma dose de café pode ser uma grande ajuda - sempre lembrando que droga alguma tem os mesmos efeitos em todas as pessoas, e que *todas* as drogas têm efeitos colaterais. O próprio café, talvez a droga nootrópica mais consumida no mundo, e certamente a mais barata, tem efeitos colaterais: palpitação em uns, ansiedade em outros, enxaqueca, e até alucinações são efeitos conhecidos do "inofensivo" café. Dos efeitos colaterais da nicotina, então, acho que nem é preciso falar. Enfim: tudo o que estou dizendo é que todo benefício potencial de qualquer droga - mesmo aspirina - precisa ser pesado contra os efeitos secundários (leia-se indesejados) de qualquer droga - mesmo aspirina.

A senhora acredita que a motivação apenas basta para alguém ter um bom desempenho universitário?
- Motivação, oportunidade, esforço, educação, incentivo (=outra forma de motivação), perseverança (=mais outra forma de motivação), método, insight...

A senhora é defensora de que temos que aceitar nossas limitações cognitivas?
- De modo algum! Por que outra razão iríamos à escola e à universidade, se não para vencer nossas limitações e aprender cada vez mais? O que defendo é que as drogas nootrópicas não deixam ninguém mais inteligente, muito menos substituem educação, motivação e esforço - e ainda têm efeitos colaterais.

E as cobranças do mundo competitivo: não se deve levar em conta?
- Claro, mas é ingenuidade achar que uma substância substitua, ou sequer valha mais, do que treinamento, motivação e esforço. Drogas podem até deixar o cérebro temporariamente mais apto para aprender e fazer - mas somente a experiência real leva ao aprendizado. E depois, há que se lembrar que (1) os efeitos positivos das drogas nootrópicas em geral são pequenos; (2) aprendizado real depende de esforço real; e (3) tudo isso ainda vem com o risco de efeitos colaterais. Como eu não tenho nenhum problema de aprendizado ou desempenho que precise ser corrigido (acho), prefiro não correr o risco de perturbar, desnecessariamente, a química do meu cérebro. Em time que está ganhando não se mexe - e time que está ficando para trás tem muito a melhorar antes de precisar apelar para drogas.

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Reader Comments (3)

Doutora Suzana, não fiquei preocupado ou zangado com o que estava escrito na fotografia. Mas apenas quis suscitar essas indagações, já que essa discussão acerca do "doping mental" está dando o que falar. Psicólogos já se posicionaram contra. Concordo com a senhora quando já ouvi de entrevistas suas nos meios de comunicação que o uso de drogas para problemas específicos neurológicos como o déficit de atenção, Alzheimer, depressão - que hoje, no atual estágio das pesquisas, percebe-se ser uma doença com alterações neurológicas consideráveis, principalmente no córtex - e outros transtornos são válidas desde que os efeitos positivos sejam maiores que os negativos (efeitos colaterais). Há que se reiterar o benefício delas nos casos mencionados. Mas cá entre nós, se houvesse uma forma farmacológica que seja milagrosa para suprir as minhas perdas de memória, já que faço um curso (Direito) no qual o meu córtex frontal e o meu hipocampo deveriam ser bem desenvolvidos, não seria nada mau, hein?
Obrigado pela atenção.
Andrei
Maringá-PR

June 4, 2009 | Unregistered CommenterAndrei

Profa. Suzana, você viu o Globo Repórter da última sexta? Está em http://g1.globo.com/globoreporter/0,,LS0-16627-73759,00.html

Uma enorme propaganda do café...

Estão dando café para crianças... (veja a seção "Café com leite melhora o rendimento de estudantes").

Já o site http://www.sleepwarrior.com/ avisa (não sei se com base científica) que café, mesmo pela manhã, pode atrapalhar o sono da noite...

August 11, 2009 | Unregistered CommenterAdolfo Neto (UTFPR)

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