Como será o amanhã?
Eu, que já tinha trabalhado em museu de ciência e adoro bolar maneiras de fazer o público gostar de ciência, não pensei duas vezes em aceitar o convite da Fundação Roberto Marinho para participar da reunião de planejamento do novo Museu do Amanhã. Imagine, poder dar pitaco no conteúdo de um museu de ciência e suas atividades!
A reunião foi no fim de semana, quando eu realmente teria curtido ficar em casa após uma semana de várias aulas e uma palestra em Tocantins. Mas nossa, como é prazeroso trocar idéias com pessoas bacanas! Foi um longo sábado pensando em como nosso passado nos ajuda a antecipar o futuro - algo que só podemos fazer porque temos um cérebro que justamente NÃO faz o que os livros-texto escolares dizem, que é "detectar estímulos e organizar respostas a eles". Enxergamos um amanhã porque somos capazes de lembrar do passado e nos basear nele para fazer projeções sobre o futuro; vivemos tentando antecipar o que nos acontecerá a seguir (ou não conseguiríamos sequer atravessar a rua); e, sobretudo, atribuimos valor ao que nos acontece, e nos guiamos por esses valores.
Mas a razão ainda não dita para este post era que eu queria de qualquer forma colocar essa foto no blog: a vista do primeiro cubículo do banheiro feminino, no último andar do Hotel Marina, no Leblon, onde a reunião aconteceu. Descobri que um dos luxos inesperados da vida é fazer xixi olhando as ondas 26 andares abaixo. Claro que eu fui ao banheiro vááárias vezes durante a reunião - e sempre no cubículo da janela!
Suzana Herculano-Houzel
Em tempo: aprendi com o Carlos Nobre, especialista do INPE, que o aquecimento global *É* uma realidade, e *JÁ* está acontecendo. Recebemos todos os avisos na Eco92, mas, como ninguém fez nada, todas as previsões estão se cumprindo. A projeção é, de fato, bem negra. Por outro lado, não dá para pensar somente no lado ruim: se não encontrarmos maneiras positivas de dizer ao publico, e aos visitantes do Museu do Amanhã, que *HÁ* o que fazer, que *É* possível fazer uma diferença, a única sensação que resta é de que melhor, então, seria se jogar logo do 26o andar do prédio...
Wednesday, May 20, 2009 at 07:48AM |
Suzana Herculano-Houzel | tagged
Do plantão da neurocientista
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