O estranhamento do artificial
Estive ontem em Palmas, Tocantins, para dar uma palestra no Salão do Livro deles. Muito gentilmente, me buscaram no aeroporto e me levaram ao hotel, onde fiquei até a hora da palestra.
No caminho, muito verde, avenidas largas, amplas, sempre arborizadas, prédios pequenos e espaçados: todos os elementos para uma cidade bonita... mas havia algo estranho. Mais um trajeto de carro, até o Palácio do Governo (um prédio lindo, por sinal), e me dei conta da razão do estranhamento: a cidade não existia 20 anos atrás, e foi totalmente planejada. Suas ruas são linhas retas; os prédios, sempre pequenos, são homogeneamente espaçados; não há qualquer fator caótico ou "biológico" na disposição das ruas. Do aeroporto à cidade, são duas linhas retas, em ângulo de 90 graus. As avenidas são enormes, feitas para muitos carros, com intersecções em rotatórias - e, de fato, não há engarrafamentos.
Ainda não sei que parte do cérebro distingue formas naturais de formas artificiais, mas acho razoável esperar que formas naturais sejam mais prazerosas. O artificial é, por definição, como dizer... não-natural. Inesperado - mas, de alguma forma, ruim. Estranho...
Friday, May 15, 2009 at 08:00AM |
Suzana Herculano-Houzel | tagged
Do plantão da neurocientista
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