Friends também é neurociência!
Eu confesso: adooooro vegetar na frente da televisão naquela hora do dia em que já não tenho fôlego para trabalhar, as crianças já foram dormir, e até ler na cama, uma das minhas atividades favoritas, parece esforço demais. Nessas horas de vegetação, quero algo que me faça pensar apenas os suficiente para achar graça, e também que seja diversão garantida. Então... puxo da estante o disco da vez da coleção completa de Friends, que já devo estar revendo, na ordem, pela segunda ou terceira vez.
Ah, como eu me divirto. E esta semana vi, por acaso, dois dos meus episódios favoritos de todos os tempos (meu sistema de recompensa ficou muito feliz!) - e que ainda servem de exemplo para a neurociência. Em um deles (5a temporada, Aquele em que a Phoebe odeia a PBS), Joey insiste com Phoebe que não há boa ação que não traga benefício próprio - nem que seja a sensação de ter feito bem a alguém. Phoebe passa então o episódio inteiro tentando fazer uma boa ação que seja puramente ruim para ela (eles voltam ao assunto em um outro episódio - algo sobre um dedo no refrigerante -, ou era neste mesmo episódio e eu dormi? Hmm, vou ter que ver de novo!). Sempre lembro desse episódio quando comento o estudo do Jorge Moll sobre doações, que mostrou que o sistema de recompensa é ativado quando decidimos fazer uma boa ação - mesmo que isso nos custe dinheiro. Fazer o bem faz bem - e se os dois lados ganham, não é o melhor dos mundos? (Botei isso no episódio do Neurológica que foi ao ar no natal de 2008, onde me vestiram até de mamãe Noel, de camisa vermelha com um baita laçarote, para explicar por que gostamos de dar presentes).
No outro episódio (5a temporada, Aquele com todas as resoluções), Ross desafia Chandler a fazer uma resolução de ano-novo aparentemente impossível: NÃO fazer piadinhas sobre os amigos. Como fazer as tais piadinhas é segunda natureza para Chandler, ele passa o episódio todo se contorcendo (ou seja, exigindo ao máximo do seu córtex pré-frontal, enquanto o cingulado anterior fica berrando que há um conflito a resolver) para conter os comentários jocosos sobre os amigos - até que prefere pagar os 50 dólares da aposta para poder se livrar da resolução e aliviar seu cingulado anterior soltando todos os comentários que ele segurou ao longo do episódio. É de rolar de rir. E é neurociência pura...
Tuesday, April 7, 2009 at 07:06AM |
Suzana Herculano-Houzel | tagged
Do plantão da neurocientista
3 Comments |
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Reader Comments (3)
Adorei! Adorei a relação, Adoro Friends, Adoro Suzana!
Estou atrás para a possibilidade de uma palestra da autora em Florianópolis. Gostaria muito de trazer um pouco do livro "O Cérebro em transformação" para os pais de aluno da escola em que trabalho. Como faço? Email-me! ;)
Cara Dra.Suzana,
Simplesmente adoro seus livros e o modo como a sra. explica o mundo neurocientifico! Eu tenho uma questão: em um deseus livros - ...aquele do bocejo - a sra. comenta sobre o porque ficamos triste quando assitimos a uma cena/imagem triste.Entendi a explicação sobre o córtex anterior e sua função nesse quesito; mas, e o humor? seria o humor mais uma questão cognitiva do que fisiológica? Me explico - minha proposta de final de curso ( Artes Plásticas) é justamente pesquisar o humor nas artes, sendo que estou abordando as diferentes cacarcterísticas do humor ( chiste,ironia,sarcasmo,etc...). Muita gente me disse que eu não vou conseguir pq o que é tido como engraçadfo nas artes também é considerado 'banal' e ,mesmo, não-arte.Um dos argumentos que até meu orientador me deu é o de que o humor não é universal - o que eu cocordei a princípio,mas agora,descordo totalmente,já que é possível rir de filmes americanos,obras espanholas,fotos italianas...Seria uma questão de 'i'nteligência',ou seja, eu rio porque filtro a imagem por um canal onde existe um conhecimento prévio , daí resultadno que o que vejo se desloca do seu habitual e isso me causa uma neurológica vontade rir? Como posso abordar o riso, o humor pelo viés da neurociencia?? Em tempo - eu tenho uma boa base de fisiologia por ter feito Ed.Física primeiro ( onde eu me especializei em recreação,ou seja,tudo a ver com o riso!!)
OBRIGADADADADADA!!
Rosane Vieira
Universidade de Brasilia
Instituto de Artes
estou muito interessada no trabalho da suzana. sou psicopedagoga , e gostaria de saber , como utilizar a neuroci~encia no meu trabalho.podem responder por email
moro em são paulo , e gostaria de saber se haverá alguma curso por aqui , e quais , e quando são os cursos no rio.
obrigada , graziella