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Wednesday
Apr222009

Homens, mulheres e evolução

Terminou em festa ontem o Simpósio Internacional de Psicologia Evolucionista, em Natal, que celebrou o término do Instituto do Milênio (um consórcio de pesquisadores instituido pelo CNPq) sobre o assunto. Durante três dias, assisti a palestras sobre o valor (des)adaptativo do reconhecimento de parentesco, os fatores de risco para homicídio e violência contra crianças, as características dos laços amorosos duradouros, distúrbios psiquiátricos... Uma moça veio me perguntar, atenciosamente, se eu, neurocientista, não estaria me sentindo deslocada ali (fui convidada para dar a palestra de encerramento, com nossas considerações sobre o lugar do ser humano como apenas um primata grande - tudo a ver com a proposta de uma abordagem evolucionista do comportamento humano, ao meu ver!).

Não, não me senti deslocada. Nossas abordagens são diferentes, mas o assunto que nos fascina a todos é o mesmo: como agimos do modo que agimos, como somos o que somos. Pelo contrário, achei fascinante ter a oportunidade de ouvir pontos de vista diferentes, complementares aos da neurociência. E aprendi um bocado:

- A vasta maioria dos homicídios é perpetrada por homens, e contra homens, a maior parte dos quais conhecidos dos assassinos. Margo Wilson e Martin Daly entendem boa parte desses crimes como uma versão extremada da competição entre machos, velha conhecida das teorias evolucionistas. Os dois canadenses (que deram suas palestras em conjunto, alternando suas falas, umas gracinhas) mostraram que os maiores fatores de risco relacionados a um aumento da taxa de homicídio são 1) ser solteiro (viúvo e divorciado também serve; o problema parece ser não importar para ninguém), 2) não ter boas perspectivas para o futuro (no caso, estar desempregado e/ou viver em uma área com baixa expectativa de vida), e 3) viver em regiões com muita desigualdade econômica (ou seja, competição).

- Para minha enorme surpresa (devo ser muito ingênua, mesmo), a maior parte da violência contra crianças vem da parte das mães, não dos pais. E a taxa é ENORME: 16% das mães admitem castigar seus filhos com violência - o dobro dos pais. Se a mãe vive com o padrasto das crianças, então, a taxa dobra: 31% delas admitem repreender os filhos com violência. Que valor adaptativo isso pode ter? Carol Weisfeld lembra que se quem bate nos filhos são as mães, quem os mata são os pais e, sobretudo, padrastos (é a Síndrome de Cinderella, descrita pela primeira vez por Margot Wilson e Martin Daly). Nesse cenário, portanto, repreensão violenta dos filhos pela própria mãe seria adaptativa por aumentar as chances de eles sobreviverem: ela mesma os repreende antes que eles irritem o padrasto a ponto de serem espancados até a morte. Cruel. Mas isso ainda não explica por que, mesmo sem padrasto em casa, 16% das mães batem em seus filhos. Que valor adaptativo isso pode ter?

Então me veio uma idéia: a repreensão física certamente não é mas necessária quando se sabe falar, o que é nosso caso. Mas se você é uma égua ou macaca e seus filhos estão aprontando, como você os repreende? Puxões de orelha, empurrões e contenção física vêm à mente... nesse sentido, talvez a violência de 16% das mães humanas seja um resquício evolutivo dos nossos ancestrais mudos. Só falta agora lembrar a essas mães que elas sabem falar, então não precisam mais bater em seus filhos!

- Por fim, a confirmação de algo que eu já suspeitava, em minhas pesquisas informais (leia-se papo furado com as amigas): os homens de fato NÃO sabem terminar relacionamentos. Uma pesquisa inglesa mostrou que de fato são as mulheres que pedem o divórcio - porque os maridos, ao invés de dizerem civilizadamente que não estão interessados, mudam seu comportamento e tornam a vida delas um inferno - bebem, somem, traem, pagam prostitutas - até que ELAS dêem um basta. Pelo ponto de vista da seleção sexual, também faz sentido, porque assim eles continuam tendo acesso à cama das mulheres até o último instante - quando provavelmente eles já arranjaram outra... Mulheres do mundo, acordem! :o)

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    Response: weblink
    Terrific Web-site, Continue the good work. Regards!

Reader Comments (1)

Olá Susana, td bem ?

Adorável seu blog, a tempos sigo mas nunca deixei um alozinho pro aqui !

Amei o post !

Um grande abraço !
Michelle

May 11, 2009 | Unregistered CommenterMichelle

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