Teve neurônios no carvanal do Rio!
O SMS da minha aluna Mari Gabi (valeu, Mari!) chegou quando estávamos entrando no supermercado (foi o programão da noite da segunda de carnaval): tinha neurônios na comissão de frente de uma das escolas!
Google e Globo Vídeos tornam fácil conferir no dia seguinte. A comissão de frente da Porto da Pedra tinha de fato um grupo de homens-neurônios. À primeira vista, achei a coisa meio tosquinha; tinha imaginado fantasias cheias de ramificações coloridas e sacolejantes, mas os homem-neurônios estavam apenas com uma segunda-pele preta e prateada colada no corpo. Mas, olhando um pouquinho mais, a coisa ficou beeem interessante: na coreografia de Regina Sauer, eles se davam as mãos e "transmitiam impulsos" de um para o outro; se reuniam em um cérebro amarelo e vermelho; e, puxando fitas, formavam "redes neurais" (ou uma célula cheia de dendritos, ao gosto do freguês) em plena avenida. Adorei!
E o melhor de tudo: no meio do vídeo, a voz do comentarista da Globo menciona que o cérebro humano tem... cerca de 86 bilhões de neurônios, o número que publicamos recentemente, e não o famigerado 100 bilhões de neurônios! Viva a divulgação científica, até no carnaval!
Tuesday, February 24, 2009 at 09:26AM |
Suzana Herculano-Houzel | tagged
Do plantão da neurocientista,
Mídia
9 Comments |
Email Article 

Reader Comments (9)
86 bilhões é da ordem de uma centena de bilhões. Para efeitos de divulgação científica, você acha que faz diferença?
Oi Samuel,
estou festejando o fato de o comentarista dizer "86" e não "100" bilhões porque isso significa que divulgação científica funciona: 86 bilhões é a estimativa que acabamos de publicar; que os jornais anunciaram; e que o comentarista não só leu como passou adiante na televisão.
Sobre 86 bilhões e 100 bilhões serem números da mesma ordem de grandeza: é ótimo que o número que encontramos esteja razoavelmente perto da estimativa de ordem de grandeza que se fazia até então. Mas, se lhe parece pouco, os 14 bilhões de diferença equivalem a 3 cérebros de macaco, ou quase meio cérebro de gorila. Me parece uma diferença, digamos, respeitável.
O mais importante, contudo, além de agora conhecermos a composição celular do cérebro humano (ao invés de apenas termos uma estimativa grosseira de sua ordem de grandeza: isso é o que os 100 bilhões eram), é que os números nos colocam dentro do esperado para um primata de nosso tamanho corporal. Ou seja: somos apenas um primata grande, como escrevi aqui no blog e nO Cérebro Nosso de Cada Dia (www.cerebronosso.bio.br).
Concordo. Seria muito bom se o potencial desses 14 bilhões de neurônios fossem acrecidos ao meu cérebro. Rsrs...
Fico feliz de ver que tem cada vez mais ciência no carnaval da Sapucaí!
No texto que escrevi em 2004 sobre o enredo científico da Unidos da Tijuca - todos devem se lembrar do brilhante carro do DNA do Paulo Barros -, terminei dizendo assim: "Se a moda pegar, quem sabe veremos nos próximos anos desfiles sobre a vida e morte das estrelas ou sobre Darwin e a evolução das espécies..." (http://cienciahoje.uol.com.br/2284)
E não é que neste ano a mesma Tijuca saiu com um enredo sobre astronomia? Pena que soube em cima da hora, ou teria tentado comprar uma fantasia!
Oi Suzana! Adoro o que vc escreve, inclusive já faz algum tempo que leio o que vc escreve. Na faculdade aqui da PUC-Minas, usamos seu livro "O cérebro nosso de cada dia".
Parabéns por ser essa divulgadora científica maravilhosa!
Que legal, essa comissão de frente foi o que eu mais gostei desse carnaval. No início eu também pensei que a coreografia estava muito superficial, mas logo mudei de idéia. E os 86 bilhões de neurônios (a divulgação está a todo vapor!)... pensando agora, o número de homens-neurônios bem que poderia ser maior!
Oi Suzana,
Eu quis chamar a atenção para a questão da divulgação. Entendo que você ficou feliz pelo fato do jornalista ter lido e transmitido uma informação publicada por vocês. Mas, diante de tantos números que o público é exposto, qual a melhor estratégia de passar uma informação que seja relevante. Como professor de física e matemática, percebo que a maioria das pessoas não tem noção de quantidades muito grandes (nem muito pequenas). 86 bilhões!
Neste sentido, a informação de que o nosso cérebro tem quase uma centena de neurônios enquanto um macaco pequeno tem menos que uma dezena de neurônios mostra apenas uma ordem de grandeza e, mais importante ainda, coloca em perspectiva com outro animal para comparação, como você fez no comentário.
Centena de bilhões (homem) e dezena de bilhões (macaco), eu quis dizer!
Odeio carnaval, mesmo assim, foi um bom tema :)