Stream of thought
Pego o metrô na Penn Station em NY para visitar um amigo também neurocientista antes de voltar para o Brasil, as mãos ocupadas mantendo as malas de pé em seus lugares e a cabeça distraída, passeando por pensamentos soltos - e noto os ladrilhos de cor diferente na parede de uma estação anunciando: 59th street. A associação é imediata e inevitável, e The 59th Street Bridge Song me vem prontamente à mente, com acompanhamento de violão e em duas vozes:
"Slow down, you move too fast/we've got to make the morning last/just kicking down the cobblestones/looking for fun and feeling groovy"...
Sei de cor esta canção desde a adolescência, quando boa parte do meu vocabulário em inglês provinha das músicas de Simon & Garfunkel. Sigo viagem cantarolando as palavras alegres da dupla de Queensboro até meu destino lá em cima, na rua 168 - quando preocupações prosaicas sobre como negociar portas de metrô e corredores sozinha com duas malas, uma bolsa e uma maleta de cérebros e instrumentos cirúrgicos enxotam qualquer canção de minha mente. O assunto, agora, é outro.
Como William James diria, os pensamentos que nos ocupam a mente consciente se sucedem continuamente, como o fluxo de um rio, sem interrupção. Alguns vêm de dentro, de nossos processos internos, desejos, memórias, projeções para o futuro; mas aqui e ali algum estímulo externo se intromete, e por alguns instantes desvia para si o fluxo mental, trazendo à tona as memórias e emoções que encontra associadas no cérebro - como a alegria que associo às palavras da 59th Street Bridge Song. E assim, de associação em associação, com o curso dos pensamentos ocasionalmente interrompido por um ou outro evento, por lembranças disparadas por conta própria, e pelas memórias pertinentes ao meu alvo, na Haven Avenue, cheguei ao meu destino. A mente passeia, mas mantém seu curso.
Monday, February 2, 2009 at 04:52PM |
Suzana Herculano-Houzel | tagged
Do plantão da neurocientista
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