Superbowl Sunday - ou Se não há guerra, inventa-se uma
Apesar de ter morado três anos nos EUA, eu nunca tinha visto o Superbowl - a final do campeonato de futebol americano, que se arrasta por vários meses até culminar em um jogo de três ou quatro horas de duração no final de janeiro (quando eu costumava estar de férias em casa, no Brasil). Desta vez, finalmente a conjuntura era propícia: estava não só nos EUA como na casa do Jon, fanático por futebol americano (mas declarando não dar a mínima para os Pittsburgh Steelers ou os Arizona Cardinals) e que me explicava com paciência as regras.
Todas as regras de esportes são arbitrárias - mas as do futebol americano têm um objetivo claro: manter um certo nível de cavalheirismo e gentileza em um jogo onde o objetivo é derrubar, literalmente, quem estiver com a bola. Acho divertidíssimo: não se pode encostar em quem estiver de mãos vazias, mas basta interceptar a bola e você se torna alvo - legítimo! - de uma dezena de brucutus vitaminados e protegidos pela versão "light" da armadura das guerras de outrora.
Por que gostamos tanto de assistir a embates esportivos? Não posso deixar de pensar que esportes coletivos são os substitutos das guerras de antigamente para nosso desejo de sangue (metafórico e nem tanto) relacionado a nossos vínculos sociais, ao senso de coletividade, ao grupo com o qual nos identificamos e, juntos, nos opomos ao inimigo. Existe até uma região no cérebro responsável pela formação desses vínculos: os núcleos septais, bem na linha média do cérebro. Jorge Moll, neurocientista brasileiro que faz estudos sensacionais de neuroimagem sobre como tomamos decisões, comentou uma vez que aposta que esses núcleos ficam ativos loucamente no cérebro de um torcedor, digamos, do Flamengo, durante uma partida contra seu adversário mais temível - Fluminense? Vasco? Agora é esperar para ver...
Sunday, February 1, 2009 at 05:15PM |
Suzana Herculano-Houzel | tagged
Do plantão da neurocientista
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