Pilates para o cerebelo
Minha professora de Pilates desencavou uma revista cheia de exercícios novos e, como eu tenho boa flexibilidade e equilíbrio, resolveu me usar como piloto de provas. Meu sistema de recompensa adorou as novidades, é claro; variar é sempre bom.
Acho que meu exercício novo preferido foi a prancha sobre a bola, como a moça aí em cima está fazendo. Se parece fácil, não é; é preciso fazer uma força do cão com o abdômen para fazer a bola parar quieta. E quando você consegue se estabilizar, o passo seguinte é... levantar uma das pernas. Sim, isso mesmo: agora são três apoios, sendo que dois deles teimam em girar para o lado, com a bola embaixo deles.
A parte divertida, no entanto, é que depois de duas tentativas mais ou menos bem sucedidas (quando praticamente dava para ouvir minhas células granulares e de Purkinje berrando no cerebelo, tentando organizar meus movimentos para manter o equilíbrio, dizendo Mais para lá!! Não, isso não deveria estar aqui!! Cancela, cancela!!), na terceira já dava para manter o corpo no lugar. Muito divertido ver o próprio cerebelo aprender a criar um modelo sensório-motor novo assim tão rápido...
Thursday, November 5, 2009 at 06:20AM |
Suzana Herculano-Houzel | tagged
Do plantão da neurocientista
6 Comments |
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Reader Comments (6)
Suzana, muito divertido seu post. eu lembro dos exercícios de pilates e nunca havia pensado neles sob essa perspectiva.
Divertido e inteligente.Sinto muito disso nas minhas aulas de pilates rs
O equilíbrio depende de força ou jeito? E a estabilidade?
Como fisioterapeuta e neurocientista, achei maravilhosa a sua colocação, e como artista plástica, fiquei imaginando uma charge dos neurônios do cerebelo gritando! rsrsrs
É difícil parar de ler os seus posts e voltar ao trabalho... como diria seu outro post... procrastinação.
Fiz uma única aula de pilates e, como sou uma procrastinadora crônica, acabei não começando a praticar. Mas gostei. Uma coisa que me chamou a atenção foi a exigência de concentração: eu tinha que prestar atenção à respiração combinada com o abdômen e com os exercícios e contar quantas vezes tinha feito as repetições. Pensei: se isso não der jeito no meu corpo, pelo menos meu cérebro vai ganhar um senhor exercício! :)
Muito bom mesmo esse post!