Aeroporto, posto avancado de observacao da diversidade humana
Eu nunca havia posto os pés na África (Tenerife não conta!), então fiquei genuinamente emocionada em notar que estava, nove horas após deixar minha terrinha, pisando em solo africano. Dei-me conta pelos enormes cartazes nos corredores do aeroporto de Johannesburgo, mostrando as belezas da região.
Mas a constatação de estar em terra incógnita vem mesmo na fila da imigração: havia uns poucos com feições conhecidas, com aquela mistura indistinta de traços que só pode ser brasileira, mas a maioria dos rostos era completamente diferente dos que populam as filas de imigração habituais para mim, nos EUA ou Brasil. Olho o letreiro de voos aterrisados, e constato que de fato estou fora do meu habitat: aqui os voos chegam da India, do Oriente Médio, do Mediterrâneo e de um ou outro país europeu. Natural, portanto, que as pessoas tenham caras tao diferentes.
Esse é o barato do aeroporto: somos quase 7 bilhões em 200 e poucos países - mas representantes de boa parte de toda essa diversidade ali estão em exibição. Graças aos aviões, e como eles à globalização, agora trocamos genes a uma velocidade espantosa. Daqui a pouco os modelos de evolução humana e fluxo gênico vao ter que começar a levar isso em conta!
Monday, November 30, 2009 at 08:22AM |
Suzana Herculano-Houzel | tagged
A vida o universo e tudo mais
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Reader Comments (2)
Olá, Suzana.
Sou estudante de psicologia e adorei os posts e opiniões expressos em seu blog.
Parabéns.
Sucesso e abraços.
Falando nisso, há um tempo atrás, um pesquisador passou um bom tempo no aeroporto olhando casais se beijarem pra gerar as estatísticas que ele publicou no estudo sobre a preferência dominante das pessoas de virar a cabeça para o lado direito em certas atividades, como beijar.
Saiu na Nature:
Güntürkün, O.Adult persistence of head-turning asymmetry. Nature, 421, 711, (2003)