Hoje

Aulas, aulas e mais aulas...

Posts recentes
« Cariocas do ano de 2009 | Main | Que lugar mais improvável para uma neurocientista se meter! »
Friday
Nov132009

Digam algo positivo, por favor...

O assunto é sombrio, e as reportagens na televisão só falam de previsões catastróficas: em quanto tempo o nível do mar subirá quantos metros, como não haverá mais gelo no Kilimanjaro em breve, quando a temperatura deverá ficar insuportável. Entendo que a intenção é nobre: chamar a atenção do público para o aquecimento global.

O resultado, contudo, é um tiro no pé, na minha humilde opinião. Eu, francamente, tenho vontade de mudar de canal toda vez que a reportagem toma um rumo de cinema-catástrofe. Irresponsabilidade minha? Estou fechando os olhos para o problema?

Diria que não. Minha campanha é outra: está certo que é preciso gerar consciência, mas, ao invés de ficar somente insistindo na catástrofe anunciada, é preciso dizer e mostrar às pessoas o que elas PODEM fazer para evitá-la e mudar o curso dos acontecimentos o mais rápido possível. Meu argumento é simples: coisas ruins não fazem ninguém se mexer. A neurociência hoje entende perfeitamente bem que a motivação é a antecipação do prazer, do resultado positivo. Portanto, para fazer alguma coisa, qualquer coisa - para literalmente mover um dedo - é preciso que se espere que algo de bom resulte daquele comportamento, que ele dê certo. Nem mesmo para evitar catástrofes pessoais a gente se mexe (como se constata, por exemplo, na depressão) se o cérebro não entender que o resultado da nossa ação pode ser verdadeiramente positivo.

Foi por isso que, partipando da reunião de planejamento do Museu do Amanhã, organizada pela Fundação Roberto Marinho, insisti muito na importância de dar uma perspectiva positiva aos visitantes. Queria muito evitar que esse Museu se tornasse um lugar "para baixo", de onde os visitantes saíssem pessimistas. Precisamos do contrário: precisamos dizer às pessoas o que elas podem fazer, e como suas ações podem ter resultados positivos, podem fazer a diferença.

Por isso, jornalistas, marqueteiros e responsáveis pelas campanhas ambientais, por favor: parem de falar de desgraças e colocar matérias catastróficas na televisão, e digam à gente coisas positivas, para variar um pouco. O que podemos fazer de concreto para mudar o mundo? É isso que precisamos ouvir!

EmailEmail Article to Friend

References (3)

References allow you to track sources for this article, as well as articles that were written in response to this article.
  • Response
    A neurocientista de plantão - A neurocientista de plantão - Digam algo positivo, por favor...
  • Response
    Response: vasos termicos
    A neurocientista de plantão - A neurocientista de plantão - Digam algo positivo, por favor...
  • Response
    Response: dumpsters
    A neurocientista de plantão - A neurocientista de plantão - Digam algo positivo, por favor...

Reader Comments (7)

Mas quem vai pagar o salário dos jornalistas?

È fato que notícas negativas chamam mais atenção, dão mais audiência...

November 13, 2009 | Unregistered CommenterAdolfo Neto

A questão é: não existe UMA resposta. Então sossega.

November 13, 2009 | Unregistered CommenterLucas

Positivo! Só adianta saber o que podemos fazer para causar a mudança!

November 13, 2009 | Unregistered CommenterRaymundo

Sua idéia faz sentido, as pessoas não podem imaginar que não tem escapatória. É como essa idéia sem fundamentos acerca do fim do mundo em 2012. Mesmo na brincadeira, quando comento sobre algo que vai acontecer depois dessa data tem alguém que diga que isso não importa pois o mundo vai acabar mesmo ¬¬.
Se isso fosse totalmente confirmado quem faria algo para mudar? Pouquíssimas pessoas.

November 13, 2009 | Unregistered CommenterPardal

Existe na Neurociência alguma explicação pelo prazer mórbido, pela excitação, que muitos seres humanos nutrem pela escatologia? E pela desgraça? Porque parece que existe um apelo irresistível nesses temas, que faz com que cativem a audiência e tornem notícias sensacionalistas quase um vício para o jornalismo, mesmo aquele revestido de aura de seriedade. Concordo plenamente com você sobre a necessidade de informação jornalística prática e honesta, que vise não simplesmente captar a audiência massificada e sem pensamento crítico. A grande parte da população brasileira tem na televisão uma das poucas fontes de informação, então seria fundamental que fosse utilizado esse meio de comunicação de forma construtiva.

November 14, 2009 | Unregistered Commenterpattychm

Saindo da Afundação RM não pode ser coisa muito boa este museu pois a maior parte do que este pessoal põe os dedos sujos, é difícil não ter intenções de causar o mal. Que a doutora possa ajudar a mudar. Os mais jovens talvez não saibam que já se tentou, há cerca de duas décadas atrás fazer uma CPI da Fundação RM pois o livro chamado Afundação Roberto Marinho, escrito por um ex-diretor da mesma, contava o que se fazia e possivelmente ainda se faça em seus bastidores. A globo bloqueou e a CPI nunca houve. Para quem não tem o que esconder, algo como uma CPI se tornaria uma propaganda nacional gratuita, se você age corretamente. Download gratuito do livro de 75 pág., em PDF está em
http://www.4shared.com/file/82096105/4c532bfc/Afundao_Roberto_Marinho.html?s=1

De certo modo, concordo com a doutora, pois o catastrofismo está forte, mas ele é baseado no medo humano pelo porvir. Mesmo estudiosos e cientistas trabalham com projeções, variabilidades e possibilidades dinte do espectro limitado pelo próprio conhecimento humano. O ser humano, em crise existencial não sabe nem mais o que ele é: se ser, se humano (animal) ou um ser (consciência) habitando e usando um corpo humano como instrumental de vida. Se não sei o que sou, como saberei realmente para onde ir ou o que melhor fazer. Haverão mais dúvidas, muitas perguntas e intelectualizações que sem respostas, sobra espaço para o medo. E o medo é um péssimo companheiro e conselheiro. Muitas das decisões hoje são baseadas no medo e isto também explica a depressividade crescente. Se não, por que motivo tanta preocupação e negativismo? Engraçado que preocupar-se é pensar demais, naquilo que não gostaríamos/queremos que aconteça no futuro (cérebro ignóbil ou intelecto insensato?).
Agora a questão do positivo, depende do ponto de vista. Para entrar o novo, o velho tem de morrer. A semente brota, quando a "morte" estoura sua casca. A cobra se renova, quando morre para a casca velha. Não são os cientistas (Lavoisier, o pai da química) que dizem que nada se cria, nada se perde, tudo se transforma? Temos de entender que as crises, como as doenças, são decorrência dos sistemas buscando encontrar o estado de equilíbrio (todo sistema é auto-organizante, pois tende ao equilíbrio). O que ocorre é que a crise sistêmica indica que o modus operandis naquele sistema, não vai bem. Esta crise mundial, não é financeira ou econômica (esta face é aparente, pois no mundo atual, da consciência materialista, é o que se vê primeiro – engraçado que o dinheiro hoje nem existe é virtual, basta um apagão longo e onde estará o dinheiro? Um sinal disto é que os bancos e seguradoras foram os que mais quebraram – não existe dinheiro lastreado), e erradamente “fizemos” como o pai que descobre que o seu filho gasta mal, então cobre as dívidas dele apenas lhe dando dinheiro e passando a mão em sua cabeça. Não cobra do filho contra-partidas, mudança de hábitos e responsabilidades. Esta crise atual é, de fato, uma crise de hábitos (modus operandis) insustentáveis. Também, o ser humano está tão intolerante inclusive com seus iguais, basta ver o que acontece em boa parte das famílias. Conflitos ou para fugir destes, individualismo. Já imaginaram quando, por exemplo, o nível do mar começar a subir de modo mais perceptível e estas pessoas não irão para outro país. Desejarão migrar para o interior de seu próprio país e então como serão recebidas pelos seus concidadãos, seus irmãos? No ritmo em que caminham as coisas, o positivo professora, talvez seja se preparar mais para conviver COM o mundo, que se preparar para viver NO mundo, pois a tendência deste é que as coisas se tornem cada vez mais complexas e menos previsíveis, e este mundo como conhecemos hoje será certamente diferente num breve futuro. As possibilidades do cérebro (órgão) são mensuráveis, mas a capacidade da consciência (essência) é ilimitada. A questão não é enfrentar o sistema, é entendê-lo para se moldar. Já dizia Einstein: nenhum problema pode ser resolvido através da mesma mentalidade (consciência) com a qual ele foi criado.

Notícias recentes a respeito do aquecimento global: “Todo mundo sabe que a camada de gelo da Groenlândia está derretendo. Mas nova pesquisa mostra que ela está desaparecendo mais rapidamente do que se imaginava”
(do Diário alemão Der Spiegel – 16/11/2009)
http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/derspiegel/2009/11/16/ult2682u1383.jhtm

November 16, 2009 | Unregistered CommenterLirio

Muito bacana a Dra abrir a oportunidade de postarmos nossos comentarios. Mas tem uns caras que são chatos, hein?

August 20, 2010 | Unregistered CommenterRoberto

PostPost a New Comment

Enter your information below to add a new comment.

My response is on my own website »
Author Email (optional):
Author URL (optional):
Post:
 
Some HTML allowed: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <code> <em> <i> <strike> <strong>