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Wednesday
Jan072009

Por que marteladas dóem mais no ouvido alheio?

Você já notou que as marteladas dadas por você mesmo dóem bem menos do que as marteladas feitas por outra pessoa - apesar de suas próprias marteladas estarem em geral bem mais próximas dos seus ouvidos? O mesmo vale para furadeiras e saltos altos no sinteco (hoje foi dia de pendurar uma televisão na parede aqui em casa, e, em homenagem ao dia chuvoso, estou com minhas botas barulhentas favoritas) e a música que você escolhe ouvir (a dos outros sempre é irritantemente alta; a nossa, jamais!). Por que, por que?

A resposta está no cerebelo, que ajusta nossos órgãos dos sentidos de acordo com as informações que recebe deles, e também de acordo com suas expectativas de retorno sensorial. Se você abre um vidro de perfume para cheirar e descobre que o odor é muito mais intenso do que esperava, seu cerebelo intervem e aborta a inspiração rapidamente, antes que seu epitélio nasal "frite" com o odor forte. Se seu cérebro tem razões para esperar que o cheiro seja muito forte antes de enfiar o nariz na garrafa, o cerebelo tratará para que a "fungadinha" seja bem curta desde o começo.

O mesmo acontece no caso das marteladas: quando é o seu próprio cérebro quem as comanda, o cerebelo sabe exatamente quando esperar o barulho - e cuida de tensionar os ossículos da orelha interna, reduzindo a amplificação do som logo na entrada. Mas se as marteladas são comandadas pelo cérebro alheio... seu cerebelo não pode fazer nada.

Quem mostrou isso? Confesso que não sei. Ao menos a fonte é segura: soube disso em uma aula particular que ganhei de surpresa do James Bower, grande especialista em cerebelo, sobre "tudo o que você gostaria de dizer aos seus alunos sobre o cerebelo mas não pode porque não é o que os livros didáticos explicam". (Diga-se de passagem, depois da minha aula com ele eu mudei minha aula sobre cerebelo para meus próprios alunos, e agora ensino-lhes "coisas subversivas" sobre o cerebelo. Divertido, esse negócio de a ciência mudar nossos conceitos...). Mas voltando ao assunto: ainda não consegui achar no PubMed (sempre ele) uma referência sobre cerebelo, audição e retorno negativo. Você conhece? Se conhecer, mande para mim, por favor!

 

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