Qual é a mãe?
O fim de semana com os amigos reuniu quatro crianças - 3, 5, 8 e 9 anos - na mesma casa, com espaço de sobra para elas ficarem à vontade. Não brincamos de contar quantas vezes ouvimos a palavra "Mãe" sendo chamada por crianças que queriam água, brinquedo, carinho, comida, ajuda no banheiro, atenção, mais água, o papel que voou, ou só praticar a fala ou pontuar as frases, mas ficou a impressão de que "mãe" e suas variantes deve ser, de longe, a palavra mais pronunciada do mundo.
E aqui a curiosidade: na grande maioria das vezes, sabíamos de longe qual das três mães era requisitada. Como? Truque do cérebro, claro, que aprende a distinguir o chamado do próprio filho. Parece que, com a experiência, ocorrem modificações no córtex cerebral auditivo, responsável pelo processamento dos sons e sua diferenciação de outros (por exemplo, de "mães" produzidas por outros timbres de voz), e também nas estruturas do tronco cerebral que nos acordam e despertam a atenção: locus coeruleus e formação reticular mesencefálica ficam especialmente sensíveis aos chamados dos próprios filhos, mas não dos dos outros.
Muito útil, por sinal, quando uma de várias crianças chora à noite: somente a mãe certa acorda, e as demais seguem seu sono em paz. Embora meu marido, que trabalha madrugadas adentro no escritório, garanta que, desde que ele veio morar conosco, às vezes eu não acorde mais. Alguma parte do meu cérebro deve ter aprendido a monitorar, mesmo adormecida, quando ele ainda não está na cama, e portanto pode acudir a criança que chorar ou tossir... enquanto eu durmo o sono merecido das mães!


Monday, January 19, 2009 at 06:27PM
Reader Comments (2)
Olá. Já vivenciei inúmeras destas situações, experimentando-as, inclusive, quando minha primeira filha, hoje com 15 anos, era pequenina. Hoje tenho mais uma enteada de 11 e um menino de 8 anos além de inúmeros sobrinhos, bastante próximos e, francamente, atendo a todo e qualquer chamado de "mãe", como se fosse minha prole me requisitando, às vezes até quando saio só. Nunca me achei destas mães paranóicas, que vivem única e exclusivamente para os filhos. Será que meu cérebro deu sinais de exaustão?
sou psicologa e atuo como coordenadora pedagógica numa escola de sp. estou procurando um texto seu que saiu no caderno equilibrio que fala sobre a importancia de ninar os filhos na hora de dormir. que é isso que dá segurança e carinho a eles. em tempos de "nana nene", argumentos como esses sao poderosos. mas nao estou encontrando o artido, se puderem enviar, agradeço!